Alonso sobre Ferrari: "Tínhamos zagueiros jogando no ataque"

Espanhol fala sobre a confiança para 2012, a diferença com Massa, o mercado de pilotos e a volta de Raikkonen

Alonso prepara-se para a terceira temporada na Ferrari

Fernando Alonso se mostrou animado em relação às chances da Ferrari para o ano que vem e disse acreditar que o próximo Mundial será mais próximo, com diferenças “de um ou dois décimos, não haverá diferenças abismais.

O espanhol usou o futebol para explicar por que a “mudança de mentalidade” da equipe desde que chegou a Maranello, em 2010, o anima para a próxima temporada.

“Desde maio ou junho mudaram coisas no corpo técnico, melhoraram o posicionamento dentro da equipe, pois tínhamos alguns zagueiros jogando no ataque, e foram adotadas inovações no carro que não eram feitas no passado por uma mentalidade mais conservadora dentro da Ferrari.”

Alonso, no entanto, reconhece que sempre se espera uma Ferrari forte durante a pré-temporada, o que chamou de “otimismo exagerado”.

“É como nas pré-temporadas do Real Madrid. É a melhor equipe da F-1 e sempre tem a obrigação de ser campeã do mundo. Quando isso não acontece, no inverno seguinte, a Ferrari terá 35 páginas e o resto cinco nos jornais.”

Apesar do quarto lugar no campeonato deste ano, Alonso afirmou que não teve carros ruins na Ferrari.

“Ano passado cheguei líder em Abu Dhabi e neste acho cheguei lutando pelo vice. A Red Bull era um carro muito, muito bom, é possível melhorar e eles o farão, mas não têm tanta margem para melhora quanto nós, que podemos crescer muito na aerodinâmica, além de termos outra filosofia na adaptação aos Pirelli e muitos outros fatores.”

O asturiano não deu muita importância ao fato de ter marcado mais que o dobro dos pontos do companheiro Felipe Massa, pois “às vezes as diferenças se dão por outros fatores ou pela sorte”, mas destacou o fato de nunca ter pontuado menos que um companheiro ao final de uma temporada.

“Só o Hamilton me igualou e foi um ano estranho. Ao final de cada ano ter mais pontos que o companheiro significa que tirou tudo do carro, mas você compete com os demais, então ao sermos batidos pela Red Bull não podemos estar felizes nem com a temporada individual, nem como equipe.”

Mesmo vendo pilotos mais jovens, como Hamilton e Sebastian Vettel, sendo campeões enquanto não vence títulos desde 2006, Alonso afirmou que só inveja Schumacher. “[Vettel] teve muita sorte de chegar e ter um carro competitivo, como Hamilton, que quase ganhou dois títulos em dois anos. Mas tenho sorte de estar [na F-1] há dez anos, ter dois títulos e estar onde quero. Aprendi com as vitórias e com as derrotas. Não mudaria isso por nada, só por Schumacher, que tem sete. Veremos daqui a alguns anos quem terá mais.”

Falando sobre as mudanças no mercado de pilotos para 2012, o piloto da Ferrari não quis opinar a respeito da demissão do compatriota Jaime Alguersuari da Toro Rosso.

“Para mim tanto faz que Jaime vá para a Hispania. Não tenho uma opinião forte sobre sua saída, não conheço como funcionava a Toro Rosso ou o quão contentes estavam com seus pilotos. Estou surpreso que tenham mudado os dois de uma vez. As equipes precisam de continuidade, assim como me surpreendeu que Sutil não tenha ficado [na Force India].”

Alonso também deu as “boas-vindas” a Kimi Raikkonen, “um dos mais talentosos do grid. É um prazer correr com ele, sem querer comparar com ninguém, não é a mesma coisa ter Kimi e um piloto jovem, novato ou sem experiência.”

Por fim, perguntado se identifica-se mais com o estilo de José Mourinho, treinador do Real Madrid, ou Pep Guardiola, do Barcelona, o torcedor do time da capital ficou em cima do muro. “Identifico-me com todos os que ganham, até se for de escanteio no último minuto. Você pode gostar mais de um do que de outro, mas o importante é ganhar.”

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