Aniversariante, Alonso diz que tem "muito a melhorar"

Espanhol, que completa 30 anos amanhã, faz retrospectiva e espera que Ferrari esteja à frente da McLaren na Hungria

Alonso completará 30 anos amanhã

A F-1 vai ganhar mais um trintão. Na véspera de apagar as velinhas mais uma vez, Fernando Alonso não quis pedir mais um campeonato mundial ou uma vitória e relembrou tudo o que aprendeu e viveu nos 30 anos que completa nesta sexta-feira, na Hungria.

“Queria pedir saúde para minha família e que todos sejam felizes. Não peço nada material ou relacionado à minha carreira, porque isso se conquista com trabalho, não é algo que se pode querer que venha por mágica”, acredita o espanhol, que afirmou em entrevista acompanhada pelo TotalRace não sentir nada de especial com a data. “É só um número redondo, um ano a mais. Fazer 28, 29 ou 30 não faz diferença.”

Longe de achar que está ficando velho, Alonso acredita que a experiência só traz benefícios. E que ainda tem lenha para queimar.

“Acho que posso evoluir. Melhorei muito nos últimos anos, tive sorte de dividir equipe com muitos pilotos, diferentes estilos de pilotagem e aprendi muito. Estou mais preparado agora para pilotar em qualquer circuito, qualquer condição e até com qualquer tipo de carro.  E quando cheguei, não tinha tanta experiência com outros carros a não ser monopostos e kart. Hoje, já andei de carros de GT, de rali, ralicross... Tenho mais confiança de que posso levar qualquer carro ao limite. Isso faz desenvolver seu estilo e o ajuda na F-1.”

O bicampeão do mundo também fez uma lista de suas melhores lembranças da carreira. Curiosamente, incluiu as vitórias em Cingapura, apesar da controversa conquista de 2008.

“O melhor momento certamente foi ser campeão em 2005, porque é uma oportunidade que, quando aproveitada, você passa uma semana sem acreditar. É o máximo que um piloto profissional pode alcançar. Parece que, aconteça o que acontecer depois, não vai importar mais. Você já está realizado. Mas há vitórias pontuais que foram muito bonitas. O campeonato do mundo de kart de 96, o italiano de 98. E, na F-1, qualquer vitória em Mônaco, Cingapura e Espanha. São inesquecíveis.”

Perguntado se a idade o fizera mudar de ideia a respeito da F-1, que afirmou não mais considerar um esporte ao ser penalizado no GP da Itália de 2006, Alonso diz que hoje aceita melhor a politicagem da categoria.

“Aprendi a conviver com isso. A F-1 é muito exigente fisica e mentalmente. É metade política, metade esporte. Você vem de outras categorias, onde tudo é esporte e se surpreende e incomoda um pouco, porque gostaria que tudo fosse mais transparente e limpo. Mas logo se acostuma e aceita. A F-1 também tem seu encanto. As pessoas têm de saber que tem política e interesses também.”

Fazer aniversário na época do GP da Hungria não é novidade para o piloto da Ferrari, pois o evento geralmente é disputado no final de julho, mas este não é o único motivo para que Budapeste tenha ficado gravada na memória do espanhol.

“A Hungria é muito especial para mim. Quando chego aqui, sempre me lembro do paddock, do aeroporto, de tudo que aconteceu no dia daquela vitória. São momentos que ficam gravados. Acho que já fiz aniversário aqui umas cinco vezes.”

A vitória de 2003 é algo que Alonso busca repetir no domingo. O piloto, que vem de uma sequëncia de dois segundos lugares e um primeiro, acredita que a Ferrari supere ao menos a McLaren em Hungaroring.

“Na Alemanha, eles foram muito rápidos na classificação e dominaram a corrida. Temos de ver se foi uma casualidade pelas temperaturas, se o frio favorecia principalmente o estilo de pilotagem de Hamilton. Tenho confiança de que seremos mais fortes que eles aqui, mas temos de ver. Em Silverstone, éramos quase um segundo mais rápidos que eles, mas quando começou a chover, Hamilton estava até na minha frente. Quando tudo voltou ao normal, ficaram a 30s. Correr em Nürburgring com 12 ou 13ºC foi muito bom para eles e, se aqui tivermos 25, 24ºC, também lhes serve.”

Para o asturiano, o ponto chave da corrida será cuidar dos pneus, que costumam sofrer no travado circuito húngaro.

“Aqui, a aerodinâmica conta bastante. Como as curvas são muito lentas, você tem de usar as asas mais altas, como em Mônaco. O carro tem de ter suspensões macias, porque o segundo setor, principalmente, é muito ondulado e tem muitas mudanças de direção. Também tem de cuidar bem dos pneus, porque eles só têm uma reta pequena para respirar e chegam a passar dos 100ºC por 30s ou 40s.”

Depois do GP, Alonso espera ter tempo para descansar. “Foi um mês de julho muito intenso. Corremos em Silverstone e depois fui a Maranello, Alemanha e agora estamos aqui. Acho que fiquei quatro dias em casa e vamos ver se consigo descansar em agosto.”

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