Após ótimos resultados, Nasr admite que esperava muito menos em seu ano de estreia

Com exclusividade, brasileiro da Sauber avaliou a primeira metade do campeonato, projetou o fim do ano e falou como é o relacionamento com o atual grid da F1

Felipe Nasr conseguiu algo nas dez primeiras etapas deste ano o que a dupla da Sauber de 2014 - Adrian Sutil e Esteban Gutierrez - não conquistou durante toda a temporada passada: pontos. Foram 16, contra nenhum de seus antecessores. Automaticamente, fez com que o time recuperasse a autoestima:"No momento que assinei com a Sauber, imaginei que marcaríamos um ou dois pontos na temporada", admitiu.

Falando ao Motorsport.com, o brasiliense disse o que achou da primeira metade da sua temporada de estreia, pontuou em quais aspectos seu carro pode melhorar para as próximas etapas e abriu o jogo sobre como convivem pilotos da Fórmula 1.

Motorsport (MS): Você acha que a pausa de meio de ano da Fórmula 1 veio numa boa hora?

Felipe Nasr (FN): Achei a pausa importante, não só para a equipe, mas também para o piloto, que reflete a primeira metade do campeonato. Esse momento que estamos passando já era esperado pela Sauber, um momento difícil, em que temos toda a parte de desenvolvimento planejada para a segunda metade do campeonato. Em Spa teremos uma atualização do motor Ferrari chegando. Em Cingapura teremos uma atualização de toda a parte aerodinâmica do carro, já iniciando o projeto de 2016. Essa prova será fundamental para interpretarmos melhor os dados que o carro vai nos fornecer, já que será aplicado no conceito de 2016. Aprendi que o nosso carro funciona numa janela de trabalho muito pequena. Temos inúmeras áreas para melhorar, sabíamos que o carro tem uma limitação grande, por isso cresce a importância de termos uma boa interpretação dessa etapa de Cingapura.

MS: Pelo que você acreditava que a Sauber poderia lhe oferecer antes de assinar o contrato, você acha que está sendo melhor ou pior do que esperava?

FN: É melhor do que eu esperava. No momento que assinei com a Sauber, imaginei que marcaríamos um ou dois pontos na temporada, para ser sincero. Se você comparar, verá que no início do campeonato andávamos à frente de equipes como McLaren, Force India, Lotus, até a Toro Rosso, e hoje as coisas se inverteram. Na média, somos a nona equipe do ano, o que mostra o quanto que os outros times evoluíram num espaço de tempo tão curto. Acho que a equipe hoje tem condições de investir num carro muito melhor do que foi feito no investimento desse ano. A entrada do Mark Smith, como diretor técnico, já é direcionado para melhorarmos essas áreas que estávamos limitados.

MS: Mesmo tendo uma boa participação em categorias de base, o que você viu na Fórmula 1 que foi novo para você?

FN: Vi que as coisas mudam muito de corrida para corrida. Numa prova você está brigando por pontos e na outra não está. Deu para ver o quanto que esse processo de desenvolvimento pode ser mudado em curto prazo. Se você tem um investimento, as informações certas, os números certos, você pode sair de uma equipe que não pontua para uma que pontua de uma corrida para outra, se você souber exatamente aonde está trabalhando. Acho que tivemos uma pausa no nosso desenvolvimento justamente quando colocamos uma asa inteira nova na China. Não funcionou e isso suspendeu muitas coisas do nosso programa. Os números não estavam batendo com aquilo que a gente via na pista. Por isso suspendemos muitas coisas e recolocou todo nosso foco em Cingapura. Toda parte aerodinâmica será mudada: carenagem, asa traseira, asa dianteira, assoalho, então já é o início dessa mudança.

MS: Como é a relação entre pilotos da Fórmula 1? É muito diferente das outras categorias?

FN: Eu acho que é mais fácil. Sem contar que você tem pessoas muito experientes no grid e acredito que nós conversamos muito mais do que conversávamos em outras categorias. Estão todos ali competindo pela mesma coisa, da mesma maneira, só que você está competindo com os melhores do mundo, cada um tem sua personalidade. Até aí tenho tido uma boa impressão, tenho uma boa relação com a maior parte do grid.

MS: Entre os figurões da categoria, quem foi que te recebeu sem marra?

FN: Em sete meses que estou na Fórmula 1 tive boas conversas com o Kimi (Raikkonen), com o (Valtteri) Bottas, com o Massa, com o (Sebastian) Vettel , todos foram bem receptivos. Acredito que na TV as pessoas acham que somos muito mais fechados, mas pelo contrário, a gente acaba se encontrando todo final de semana, então isso nos deixa mais próximos.

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Categorias Fórmula 1
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Equipes Sauber
Tipo de artigo Entrevista