Barrichello sobre resultado de Senna: "Tem de ser emoção contida"

Do alto de suas 19 temporadas na F-1, piloto acredita que torcida e imprensa não deveriam repetir a empolgação - e erros - do passado

Bruno Senna faz sua primeira corrida pela Renault

O sétimo lugar de Bruno Senna na classificação para o GP da Bélgica deixou Rubens Barrichello tão animado quanto preocupado. O piloto sabe o que é receber a pressão de substituir os campeões que o Brasil teve na F-1 e acredita que chegou a hora de torcedores e imprensa reverem seus conceitos.
Perguntado pelo TotalRace sobre a expectativa criada em cima do nome de Bruno, ainda mais depois de um bom resultado, o piloto da Williams afirmou que é preciso ter calma.

“É um excelente trabalho. Não dá para esquecer que é o Bruno, que tem uma grande pressão do lado dele. Acho que, para que a gente não cometa novos erros, tanto nós espectadores – e eu falo como espectador por torcer pelo Bruno – como a imprensa, a gente deveria dar uma folga.”

Segundo Barrichello, é preciso entender que será normal o inexperiente Bruno cometer alguns erros. “Criar um fuzuê danado vai fazer com que a expectativa suba, a fantasia se crie e o Bruno é muito jovem. É normal ter uma erradinha aqui, outra lá. Ele está muito bem preparado para superar todos estes problemas, como fez, largando agora na frente do Petrov.”

Do alto de suas 19 temporadas na F-1, o piloto acredita que as proporções têm de ser guardadas. “Se eu pudesse dar um conselho para todos nós, diria que tem de ser uma emoção contida, porque hoje foi o máximo, não vamos dizer que não foi uma belíssima classificação por parte dele, em uma pista secando, uma pista difícil. Por outro lado, ele entrou em uma equipe que tem muito a oferecer. Não sei quantificar o quão bom são os pilotos que passaram por lá, mas o carro da Renault é muito decente. É um carro bem agradável de guiar, rápido de reta. Só espero que o que ele fez hoje tenha finalizado a questão de ‘será que ele vai ficar? Será que vai correr depois disso?’ A gente tem de estar contido. Bruno é muito jovem, mas é um talento que, muito bem trabalhado, pode ser um campeão no futuro.”

O piloto fala com conhecimento de causa. Afinal, Barrichello tinha 22 anos e fazia sua segunda temporada na F-1 quando foi alçado a grande esperança brasileira após a morte de Ayrton Senna. “Acho que todo mundo que passou na era pós-Senna teve uma euforia muito grande, muito maior do que precisa ser no começo e depois é massacre, facada, essas coisas. É uma crítica construtiva, porque as pessoas têm de aprender com isso e eu mesmo, se fosse jornalista na época, provavelmente teria caído na euforia. O Brasil está carente de um campeão, mas precisamos construir esse campeão. Ele não vai ser campeão em um primeiro sábado em Spa.”

Ao menos Barrichello diz estar fazendo a sua parte, tentando fazer com que todo esse processo pelo qual Bruno está passando seja o mais tranquilo possível.

“O que eu fiz com o Bruno foi exatamente o que um cara muito especial para mim – o tio dele – fez comigo. Eu fui lá, ofereci apoio para o que ele quisesse. Ontem, no próprio briefing, falei que ele podia falar o que precisasse e é bom para dar um pouco de moral porque ele estava meio triste por ter batido. Até brinquei com ele que, com esse carro, ele vai aparecer mais e tem que cortar o cabelo porque está parecendo o urso do cabelo duro e isso nem é da época dele – eu tive que explicar. Eu ia tirar uma foto para o twitter, mas ele não deixou.”

(colaboraram Felipe Motta e Luis Fernando Ramos, de Spa)

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