"É um alerta", diz Alonso sobre acidente de Bianchi no Japão

Espanhol reconhece que não está focado na etapa deste final de semana: Corpo está aqui, mas cabeça não

O corpo na Rússia, disputando a 16ª etapa do Mundial de Fórmula 1, mas a mente no Japão, onde Jules Bianchi segue internado em estado crítico após acidente sofrido no último domingo, no GP do Japão. É assim que Fernando Alonso se sente às vésperas da estreia da etapa de Sochi no campeonato.

“Será um final de semana muito difícil, de muita emoção, pois temos de ser profissionais, maximizar o que temos em mãos. Por outro lado, nossa mente está no Japão porque temos um amigo, um membro de nossa equipe lutando pela vida. Vamos correr, mas não vamos dar muita atenção para o que acontecer aqui.”

[publicidade] Sem entrar em detalhes sobre o que pode ser feito para evitar acidentes como o de Bianchi, que bateu em um trator que removia outro carro na área de escape, Alonso lembrou que a batida serviu para provar que a Fórmula 1 ainda é um esporte de risco. A última morte no esporte durante uma corrida foi de Ayrton Senna, em 1994.

“É um alerta para todos nós, começando pelos pilotos. Nos últimos anos, os carros estão tão seguros que não pensamos em nenhum risco. Vimos tantos acidentes espetaculares, como o de Kubica no Canadá em 2007 e outros em que nada de sério aconteceu”, afirmou o bicampeão.

“Você coloca no seu cérebro: o automobilismo é perigoso mas, nestes carros, não acontece nada. Essa talvez também seja a percepção das arquibancadas. Às vezes temos de lembrar que todos aqui precisam ter respeito pela velocidade, por esses carros, e que tudo pode acontecer.”

Perguntado se acidentes como o de Bianchi fazem com que os pilotos vejam onde está o limite aceitável para o risco no esporte, Alonso defendeu que isso é impossível.

“Somos pilotos e estamos fazendo o que precisamos fazer. Precisamos pular no carro e ser cada vez mais rápido – nunca é o bastante. Entendemos o risco, mas é um aviso do que pode acontecer. Há o risco sob altas velocidades, em curvas perigosas, mas também pode acontecer algo no caminho para o hotel. É nosso trabalho e, de alguma forma, precisamos dessa adrenalina.”

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