Massa acredita que pneus serão a chave de 2011

Em entrevista, piloto brasileiro se diz confiante com o rendimento do novo carro e espera deixar no passado os problemas com a borracha

O desgaste dos Pirelli, o aumento do número de botões no volante, dividir a equipe com Fernando Alonso. Nada parece abalar a confiança de Felipe Massa antes da primeira etapa do campeonato de Fórmula 1 de 2011. Em entrevista concedida por email, com perguntas enviadas por várias mídias brasileiras, o brasileiro da Ferrari mostrou tranquilidade em relação ao ritmo do 150º Italia e afirmou que a chave neste ano será a adaptação aos pneus. “No qualifying o tempo virá logo na primeira volta, enquanto na prova será preciso muita atenção para administrar os pneus com cuidado.”

O que já é possível dizer dos novos pneus e regras para 2011?

FELIPE MASSA: A principal novidade de 2011 são os novos pneus Pirelli. É certo que veremos corridas bem diferentes daquelas do ano passado porque o desgaste dos pneus está muito mais acentuado e aumentou a aderência na primeira volta, o que de certa forma não me agrada levando em conta as dificuldades que encontrei em 2010, principalmente com os dianteiros. Para as equipes e pilotos, a tarefa é clara: temos de nos adaptar o mais rapidamente possível à nova situação. Quanto ao regulamento técnico, a maior novidade é a asa traseira móvel que, combinada com a volta do Kers, deve favorecer as ultrapassagens. Até agora só pudemos experimentá-la nos testes, portanto nunca em condições de corrida. Em Melbourne, veremos como se comporta.

Você acha que o volante equipado com diversos novos botões vai complicar ainda mais a vida dos pilotos? Alguns pilotos têm alertado para o aumento do risco de acidentes. Você concorda com eles? Como isso pode interferir nas corridas?

MASSA: Não acredito que mude tanto em relação ao que estávamos acostumados. Quando a eletrônica estava liberada, tínhamos de cumprir várias funções com o volante durante uma volta. Mesmo no ano passado, por exemplo, tínhamos um "flap" dianteiro móvel e os dutos de ar. Como sempre, é só uma questão de costume.

As ordens de equipe estão liberadas a partir de agora. Qual é a sua opinião sobre esta questão?

MASSA: A FIA tomou uma decisão lógica. Fórmula 1 é um esporte de equipe e as ordens internas sempre fizeram parte da história da categoria.

Fernando Alonso pode ser considerado o piloto mais duro que você já enfrentou nos bastidores?

MASSA: Sempre tive companheiros de equipe muito fortes. É só lembrar que corri ao lado de quatro campeões mundiais: Alonso, Schumacher, Räikkönen e Villeneuve. Nem preciso falar das qualidades do Alonso, porque todos sabem.

Quais são suas impressões sobre a nova Ferrari 150º Italia?

MASSA: Fizemos uma boa preparação, testando tudo que estava programado. O carro parece competitivo, mas acho que é impossível dizer onde estamos na comparação com os demais. A Red Bull parece estar muito bem, a Mercedes evoluiu no último teste em Barcelona, mas não devemos subestimar a McLaren nem descartar uma possível surpresa, como a Renault e a Williams.

Não há estreantes brasileiros em 2011 e, para piorar, o país perdeu Bruno Senna, hoje apenas um piloto de testes, e Lucas di Grassi. Você acha que as pequenas equipes viraram um balcão de negócios e seria melhor se as grandes equipes pudessem alinhar com três carros, uma posição defendida pelo presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo? Você realmente acredita que o Brasil não terá pilotos na Fórmula 1 a curto ou médio prazo, quando você e Barrichello estiverem aposentados?

MASSA: Com toda certeza, a possibilidade de existir uma terceira Ferrari ou McLaren – administrada por outra equipe, esta é a proposta do presidente Montezemolo – permitiria às equipes menores dispor de um carro mais competitivo sem investimentos tão pesados e atrair patrocinadores. Neste caso, não haveria necessidade de recorrer a pilotos que levam dinheiro para a equipe. Isso vale para todos, não apenas para os brasileiros. Lucas não está correndo neste ano porque não conseguiu dinheiro, o que é uma pena.

Você tem afirmado se sentir mais confortável para atacar com os novos pneus Pirelli, cujos compostos são mais macios que os Bridgestone do ano passado. Como administrar um estilo mais agressivo de pilotagem com a rápida degradação dos pneus, principalmente com a versão mais mole? Isso será possível?

MASSA: Esta será a chave da temporada, mas é preciso diferenciar os treinos classificatórios e a corrida. No qualifying o tempo virá logo na primeira volta, enquanto na prova será preciso muita atenção para administrar os pneus com cuidado.

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