"O RB7 foi um processo de osmose", diz Newey

Projetista diz que carro deve ser um 'pacote', fala de sistema copiado por McLaren e rebate acusações sobre a altura da asa dianteira

Newey: sempre em busca da perfeição com seus carros

Em entrevista para a revista oficial da Red Bull, o Red Bulletin, o mago da aerodinâmica moderna da F-1, Adrian Newey, resolveu falar bastante. O projetista de carros clássicos de equipes como Leyton House, Williams e McLaren explicou um pouco mais de seu universo e de sua nova obra de arte, o RB7.

Imbatível em treinos e vencedor de duas das três corridas do atual campeonato, o RB7 é uma grande evolução em relação ao antecessor, que deu o primeiro título ao time austríaco. Segundo o inglês, é como um pacote, no qual tudo precisa ser integrado.
 
"Sempre tentamos desenhar o carro como um pacote, com uma visão holística e tendo a certeza de que tudo vai funcionar em harmonia. A interação de todos os componentes, particularmente os aerodinâmicos, tem de ser desta forma", conta o inglês, explicando que o desenvolvimento do carro é como uma osmose, com a participação de todos.
 
"O conforto é algo que estávamos tentando alcançar. Sabemos que o carro teria menos pressão aerodinâmica sem o difusor duplo, então quisemos ter a certeza de que os pilotos seriam capazes de usar a aerodinâmica que temos de forma confortável. O carro não foi feito especificamente para 'vestir' Sebastian ou Mark, mas é, pelo menos em parte, produto do feedback deles. Os ouvimos, anotamos e crescemos juntos. É um processo de osmose."
 
Newey admitiu ter ficado incomodado ao ver a McLaren reagir em relação à pré-temporada 'copiando' o sistema de escapamentos da Red Bull, após uma experiência que não deu certo: "É chato, mas gratificante ao mesmo tempo. Certamente, eles deram um grande passo com isso e parece ter funcionado bem para eles. Esta é a natureza da F-1. Temos de continuar nos desenvolvendo, chegar com novas ideias e seguir à frente."
 
O projetista tem uma espécie de ritual que é aplicado antes de todas as corridas: caminhar pelo grid e observar todos os carros dos rivais. Mas ele explica que não tem o objetivo de imitar ninguém. "Não existe algo específico que me chame a atenção. Só vejo as novidades deles. E isso não com a intenção de copiar, mas de olhar e pensar por que eles fizeram aqulo. Isso pode gerar algumas novas ideias para nosso próprio carro."
 
Uma das revelações da temporada, a Renault surgiu com um inovador sistema de escapamentos, que rendeu já dois pódios e boas exibições de Nick Heidfeld e Vitaly Petrov. Contudo, Newey prefere seguir sua linha e diz que as maneiras diferentes de trabalho dos times é uma das coisas legais da categoria. "Ouvimos rumores no inverno de que a Renault estava analisando os escapamentos, mas não perdemos tempo pesquisando isso. Queríamos nos concentrar em nossa parte. Isso é o legal da F-1: existem maneiras diferentes de trabalhar e é difícil prever qual será a mais rentável. Quem sabe? Talvez, a Renault continuará desenvolvendo seu sistema e encontrar mais potencial vital. É difícil saber." 
 
O inglês também comentou os questionamentos sobre a legalidade da asa frontal do RB7. "Para ser honesto, é uma coisa chata. Tivemos já isso no ano passado. Os testes que fizemos com a FIA foram bem mais rigorosos, com cada detalhe sendo analisado. Francamente, existe um esforço de uma equipe em particular para a mudança do regulamento, pois é bem claro o que você pode fazer ou não com a asas dianteira. O resto é da velocidade do seu carro. Escolhemos andar com um modelo alto na traseira e baixo na frente. Os outros, como a McLaren, seguiram uma rota oposta, e isso faz a asa deles parecer alta automaticamente".
 
Por fim, Newey deu seu parecer sobre quais as batalhas técnicas deste ano. "Os sistemas de escapamentos serão uma grande área de desenvolvimento, como já vimos. O fator que mudou em relação ao ano passado é o banimento do difusor, o que causou um efeito no escapamento. Adaptar o carro aos pneus sem o difusor duplo será a grande área de desenvolvimento. Existe o Kers também, mas é principalmente um trabalho de pacote, onde tudo deve funcionar em harmonia."

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