Para chefe da Toyota no WEC, pilotos perderam “tesão” pela F1

Pascal Vasselon, que comandou operação dos japoneses na passagem pela categoria, crê que as mudanças no regulamento para 2017 trarão o sentimento de volta

Os pilotos perderam o “tesão” de estar ao volante de um carro de F1. A opinião vem de alguém que já esteve na categoria: Pascal Vasselon, chefe da Toyota durante os anos em que a fabricante esteve no certame – de 2002 até 2009. Hoje, o francês exerce a mesma função, mas na operação dos japoneses no Mundial de Endurance.

Vasselon toma como parâmetro de comparação o que ele vê no WEC, que tem se tornado cada vez mais popular entre os fãs de corridas. Para o dirigente, isso tem acontecido porque os pilotos sentem prazer em dirigir os carros da LMP1.

"Creio que a queda do interesse geral na F1 se dá, principalmente, pela falta de ‘tesão’ dos próprios pilotos da categoria. Grande parte deles não demonstra prazer em estar a bordo de um dos carros do campeonato – isso é o que eu sinto, pessoalmente. O desinteresse deles desmotiva o público”, disse o dirigente em entrevista ao Motorsport.com.

O gaulês revelou que ouve constantemente dos pilotos de endurance o quanto os carros da LMP1 são fascinantes – e dos pilotos da própria F1, quando estes aparecem no paddock do WEC ou disputam corridas, como foi o caso de Nico Hülkenberg, vencedor das 24 Horas de Le Mans deste ano, pela Porsche. Esse entusiasmo, segundo ele, é captado pelos fãs.

"O que mais vejo são pilotos de F1 presenciando nossas corridas e dizendo: ‘uau, estes carros são fantásticos. Neles é possível andar num ritmo forte do começo ao fim das corridas’. É totalmente o oposto do que eles vivem na F1, sinto a falta de interesse vinda de seus próprios comentários. Salta aos meus olhos a percepção de que os pilotos da F1 e do WEC não compartilham os mesmos sentimentos de se divertir ao volante de seus respectivos carros”, observou.

Volta ao passado

Vasselon acrescentou ainda que a mudança de pensamento em busca de carros mais velozes, com pneus mais largos e maior eficiência aerodinâmica – itens relacionados às mudanças previstas para a F1 em 2017 – nada mais é do que uma reviravolta em relação ao que a F1 tem procurado fazer nos últimos anos.

"Eu não estou por dentro dos detalhes, mas estão falando de evoluções significativas em termos de aerodinâmica e pneus. Os tempos de volta cairão sensivelmente, essa é uma certeza”, cravou.

"Estas novas regras vão praticamente na direção oposta daquelas na qual a F1 se baseou no final da década de 2000, quando o objetivo foi reduzir a velocidade dos carros e facilitar as ultrapassagens. Parece que agora os responsáveis pela categoria mudaram de opinião e isso parece um desafio empolgante”, concluiu.

Entrevista por Basile Davoine

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