“Power slide” e fogo: a vitória de Schumacher na Áustria em 2003

Um ano após marmelada, piloto alemão vence uma das melhores corridas de sua carreira na Fórmula 1.

Os GPs da Áustria de 2001 e 2002 marcaram negativamente a carreira do heptacampeão Michael Schumacher. Nas duas corridas o piloto teve passagem concedida pelo companheiro de equipe Rubens Barrichello na reta final sob o motivo de somar o máximo de pontos possível na luta pelo título mundial.

Muita gente criticou mas até compreendeu o fato em 2001, quando Barrichello deixou o alemão passar pelo segundo posto. Coulthard, rival de Schumacher na luta pelo campeonato, ganhou a prova e estaria a apenas dois pontos do alemão sem a ultrapassagem (ficou a quatro). Barrichello estava mais de 20 pontos atrás. Mas em 2002 não havia como compreender: Schumacher estava 21 pontos à frente de Montoya no campeonato, e nenhuma equipe aparentava ter carro para batê-lo – como de fato ocorreu (ou não ocorreu). Schumacher foi campeão após o GP da França, em julho.

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Para maquiar um pouco essas feridas em sua imagem, Michael Schumacher desembarcou em Spielberg em 2003 decidido a vencer.

A vice-liderança do mundial era um lugar no qual o alemão não estava acostumado a estar. Único a até então vencer duas vezes naquele ano, o alemão sabia que uma boa posição de largada seria essencial para sair da Áustria com a terceira vitória do ano e a liderança do mundial. A dificuldade de se ultrapassar nos 4.326m do veloz circuito de Spielberg sempre foi notável.

Último a entrar na pista no antigo sistema de classificação com uma volta lançada, Schumacher passou na primeira intermediária de sua volta 0.159s atrás da pole provisória de Raikkonen. Para piorar, o alemão saiu de lado na freada da curva 3, na parte mais alta da pista. Volta perdida? Que nada. Usando sua habilidade de kartista, Michael transformou o erro em um “power slide” na segunda intermediária da volta, passando a apenas 0.048s de Raikkonen. Ainda restavam quatro curvas, e o piloto da Ferrari as contornou com tal maestria que sua tentativa acabou culminando no tempo de 1:09.150s, 0.039s mais rápido que o de Raikkonen. Confira a volta:

Seria um passo importante para o domingo. Schumacher liderou a largada e teve de usar toda sua a habilidade para continuar abrindo de Raikkonen e Montoya durante um pequenos chuvisco nas primeiras voltas. O piloto entrou nos pits na volta 23, e aí quase todo o seu trabalho foi perdido.

Com sete segundos de parada, Schumacher olhou para seu retrovisor direito e viu o mecânico responsável por seu reabastecimento desesperado: a mangueira havia ficado presa no bocal derramando combustível. Com a gasolina entrando em contato com o carro quente as chamas foram inevitáveis. Os extintores entraram em ação. A língua de fogo que saia do bocal de combustível foi apagada em 12 segundos. Sem se assustar e confiando no time, o alemão esperou calmamente dentro de seu carro a mangueira ser desconectada e fogo apagado. Saiu quando recebeu o sinal. Era o terceiro.

Estava logo atrás de Raikkonen, que entrou nos pits na mesma hora. Na volta 32 a sorte voltou a sorrir para o alemão. Enquanto ele conseguia passar por Raikkonen na curva 3, o líder Montoya encostava sua Williams com problemas de motor.

Schumacher ganhou o GP à frente de Kimi. E os dois pontos de diferença entre o primeiro e o segundo lugares (10 e 8 na pontuação da época respectivamente) foram decisivos para o campeonato. Afinal, o alemão foi campeão por dois pontos em cima do finlandês da McLaren após o fim da temporada no Japão, em outubro daquele ano.

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