Saiba como mecânicos da F1 trabalham em fim de semana de prova

O jornalista do Motorsport.com, René Fagnan, conversou com Greg Baker, chefe mecânico da Lotus e descobriu como uma equipe trabalha em fim de semana típico da categoria

Greg Baker começou na Williams Touring Car Engineering, que gerenciava o programa de carros de turismo da Williams no meio dos anos 1990. Ele foi para a F1 pela Arrows e depois para a Renault, em 2002. Como chefe mecânico, Baker tem grandes responsabilidades, assegurando que os carros da Lotus estejam em sua melhor forma durante todo o fim de semana.

"Meu papel é garantir que os carros de Romain Grosjean e de Pastor Maldonado estejam acertados", disse.

Ele confirma que o amor pelo automobilismo seja uma condição essencial para se trabalhar na F1, que conta com um calendário puxado, com 19 etapas pelo mundo, com longos voos e agenda esgotante.

"Você tem que ser apaixonado por automobilismo, com certeza", acrescenta. "Se você quer trabalhar na F1, tem que ter muita motivação. Você precisa ser capaz de trabalhar de maneira rápida, sob pressão e tomar decisões precisas, já que temos um tempo limitado para trabalhar nos carros.
"E também 19 GPs no calendário,significa estar longe de casa durante 180 dias do ano."

Baker também comparou seu trabalho ao de gerações anteriores:

"O trabalho mudou incrivelmente. Viajamos muito. Gastamos em média 10 horas em aviões na classe econômica e depois disso tem o jetlag."

"Há 15 anos, os rapazes terminavam o dia e saiam para tomar uma cerveja. Hoje, eles pedem para fazer cooper ou vão para a academia. Isso se tornou mais do que um negócio agora."

"A nova geração de mecânicos não é de atletas, mas estão bem próximos disso."

Um típico fim de semana de GP

A garagem é preparada para receber os carros e equipamentos. No primeiro dia do fim de semana os mecânicos estão ocupados em agrupar os carros junto com todos os seus componentes.

"Se é uma etapa europeia, viajamos na quarta-feira de manhã cedo e chegamos no circuito, normalmente às 14h", disse Baker. Podemos ficar lá até às 23h, caso não tenha nenhuma outra ordem expressa. Tentamos não deixar nada para a quinta-feira."

"Ligamos os motores pela primeira vez na quinta-feira para verificar todos os sistemas."

Os carros são levados para inspeção técnica. Os pneus são coletados pela Pirelli e reagrupados em sets. Pilotos e engenheiros andam pela pista, enquanto os mecânicos dão uma última checada no carro.

Depois as atenções ficam reservadas para a sexta-feira, com carros na pista em duas sessões de treinos de 90 minutos.

"Normalmente saímos do hotel às 6h30 da manhã", acrescentou. "É o dia mais ocupado do fim de semana para nós. Normalmente trabalhamos até o horário-limite."

"Revisamos o carro após o segundo treino, ajustamos o motor e a caixa de câmbio de cada um. Há também algumas trocas de peças e de partes da suspensão, por causa da quilometragem que elas já percorreram."

"Se você trabalha até o horário-limite, então você garante naquela noite umas quatro ou cinco horas de sono, até voltar ao autódromo na manhã seguinte."

"O tempo entre o terceiro treino e o quali é muito curto e você tem que instalar os escapamentos de corrida, freios de corrida e mais algumas coisas do tipo. Cada circuito exige coisas diferentes."

"Se você chega ao Q3, você terá os carros no parque fechado (parc fermé) e você tem apenas uma hora e meia para checar o carro e estar certo de que tudo está OK.

Os procedimentos no parque fechado fazem grande diferença. Há alguns anos, os mecânicos começavam a trabalhar no carro na quinta-feira sem parar até a noite de domingo.

"É mais regulamentado hoje. Pelo menos conseguimos boas horas de sono entre sábado e domingo."

Domingo: o evento principal

Com a existência do parc fermé , significa que as manhãs de domingo não são tão agitadas como antigamente, quando tínhamos sessões de warm up para complicar as coisas.

"Deixamos tudo pronto para o carro. Não podemos trabalhar neles, mas conseguimos ter uma boa visão."

Durante a corrida os mecânicos permanecem nos boxes e efetuam as trocas de pneus. Mas o trabalho não termina após a bandeira quadriculada.

"Depois da prova, normalmente temos mais oito horas de trabalho. Desmontamos os carros e embalamos para tudo voltar a Enstone. Esse "strip tease" nos toma boas horas.

Por razões óbvias, os dois períodos mais longos de folga, dezembro e agosto, são recebidos de maneira calorosa pelos mecânicos exaustos.

"Uma coisa boa da F1 é que sabemos de todas as datas com antecedência e assim conseguimos planejar todo o nosso ano. Os caras sabem exatamente quando terão tempo livre", concluiu Baker.

 

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