Troca de pneus sob bandeira vermelha divide opiniões

Enquanto o engenheiro brasileiro Robert Sattler, da Force India, vê com naturalidade o procedimento, o diretor do GP do Brasil, Carlos Montagner, não aprovou a decisão

Final do GP de Mônaco ficou aquém das expectativas por bandeira vermelha

A bandeira vermelha a seis voltas do final do GP de Mônaco, no último domingo, continua dando o que falar. Enquanto o engenheiro brasileiro Robert Sattler, que trabalha na Force India, vê com naturalidade o procedimento, o diretor de prova do GP do Brasil, Carlos Montagner, não aprovou a decisão.

Como o regulamento prevê que os carros podem ser trabalhados, as equipes aproveitaram para trocar os pneus, o que fez com que a luta que estava se desenhando pela ponta, entre Sebastian Vettel, que havia feito o último pit stop na volta 16, Fernando Alonso, com o mesmo pneu desde o 34º giro, e Jenson Button, que havia trocado a borracha na 48, não acontecesse.

 “Pode mexer em tudo porque, uma vez dada a largada da corrida, os carros não estão mais em regime de parque fechado. Podemos também mudar tudo nos pit stops”, explica Robert Sattler, engenheiro de performance de Adrian Sutil na Force India.

Sattler, que está na F-1 desde 2005, garantiu que isso não é novidade. “Esse regulamento já é assim há vários anos. Quando deram bandeira vermelha na Malásia em 2009, trocamos até peças da suspensão.”

Carlos Montagner, no entanto, classificou a decisão de “atípica”. "Eu não gostei do que fizeram. Não achei legal não".

"Não entendi a própria relargada. Como diretor de prova, se algo acontece na corrida, torço para que seja após os 75% de corrida. Assim, todos recebem os pontos totais e o prejuízo não é tão grande. Voltar com seis voltas para o fim foi estranho."

Mesmo sendo parte do procedimento normal, Sattler concorda que a parada atrapalhou a corrida. “Do meu ponto de vista a troca de pneus tirou o show em Mônaco, mas eles autorizam a troca porque, além de acidentes, a bandeira vermelha é muitas vezes causada por causa de chuva. Por exemplo, se cai um temporal daqueles de uma hora para a outra e eles interrompem a corrida quando alguns ainda estão com pneu slick. Eles obviamente não podem obrigar os pilotos a largarem com pneu slick de novo se a pista ainda estiver molhada”, pondera.

Para Montagner, as regras são nebulosas nesta área. "O regulamento não menciona nada sobre pneus. Nem que pode mudar, nem que não pode."

De acordo com o profissional, a história seria diferente caso a corrida fosse de outra categoria.

"Nas categorias brasileiras isso não acontece. Se houver bandeira vermelha para tudo. Mesmo se chover, os carros não podem ser mudados. Pode haver relargada com Safety Car e os carros vão com os pneus que estiverem. Se precisarem, param nos boxes."

 A única saída vista por Sattler para resolver o impasse seria fazer um adendo no regulamento, mas o engenheiro acredita que isso poderia trazer ainda problemas.

“Talvez eles deviam colocar um ponto no regulamento que só autoriza a troca de pneus quando tem mudanças climáticas. Mas é difícil porque sempre alguém pode reclamar.”

(colaborou Felipe Motta)

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