Confira as sete maiores rivalidades do automobilismo mundial entre compatriotas

Com a disputa inflamada pelo título da Fórmula E entre os brasileiros Nelsinho Piquet e Lucas di Grassi, o Motorsport.com levantou outras grandes rixas de pilotos do mesmo país.

A rivalidade no automobilismo é uma coisa muito comum. No entanto em alguns casos a disputa atinge níveis elevadíssimos de polêmicas. Após a rixa entre Nelsinho Piquet e Lucas di Grassi vir à tona, pela disputa do título da Fórmula E, o Motorsport.com relembra outras sete "brigas" de pilotos compatriotas ao lado de Reginaldo Leme, da TV Globo. As origens de tanta confusão variam de apenas duelos intensos na pista e trocas de "gentilezas" à disputa pela mesma mulher.

Confira os outros sete casos:

Brasil - Ayrton Senna x Nelson Piquet
Ayrton Senna e Nelson Piquet nunca foram grandes amigos, mas se toleravam até o final dos anos 1980. Um episódio no início de 1988 marcou o início da inimizade mais famosa do automobilismo brasileiro, após Senna dar uma declaração polêmica não digerida de forma amistosa por Piquet

Reginaldo Leme, da Rede Globo, na época era repórter da emissora e relembra quando a relação rompeu-se em definitivo. “Quando o Piquet ganhou o campeonato de 1987, o Senna assinou com a McLaren e sumiu da mídia por uns três meses. Quando começaram os testes de pneus em Jacarepaguá, a primeira pergunta que todos fizeram a Senna foi: ‘por que você sumiu?’ Ele respondeu: ‘eu sumi para ver se vocês davam uma moral para o campeão’. O Piquet não gostou disso, e um jornalista foi lá até ele instigá-lo. Nelson deu a réplica, soltando aquela famosa resposta de que o Ayrton não gostava de mulher. Não que ele achasse aquilo, mas foi aquela resposta instigada por alguém”, disse Reginaldo.

Senna entrou na justiça comum contra o compatriota. Os próximos seis anos foram de mau relacionamento entre os dois tricampeões brasileiros da F1.

Itália - Valentino Rossi x Max Biaggi
O início da animosidade data do final dos anos 90. Tidos como os melhores pilotos italianos no mundial, a relação sempre foi difícil. O marco zero foi em um restaurante no Japão, quando Biaggi pediu que Rossi lavasse a boca para falar seu nome. Apenas em 2000 a competir na MotoGP, e em 2001 disputaram o titulo. A temporada foi marcada pela forte inimizade. Na primeira prova, em Suzuka, Biaggi jogou Rossi fora da pista propositalmente com o cotovelo. Uma volta depois Rossi ultrapassou Max e mostrou o dedo do meio. O 46 venceu o GP. 

Mais tarde, no GP da Catalunha, Valentino fez uma prova fantástica, vindo de 16º e passando Biaggi para vencer. Logo antes do pódio, uma discussão se iniciou entre ambos. Com o sangue quente, os dois foram às vias de fato. Após o pódio, os dois negaram o desentendimento apesar de Biaggi ter aparecido com um corte abaixo do olho. Desde então, a rivalidade continuou entre os dois – sempre com Rossi levando a melhor na pista – mas de forma controlada. Até hoje os italianos não se falam.

Alemanha - Heinz-Harald Frentzen x Michael Schumacher
Heinz-Harald Frentzen e Michael Schumacher eram duas grandes promessas do automobilismo alemão no final dos anos 80 e início dos 90. Depois de competirem no kart, eles fizeram parte da equipe Mercedes no campeonato de protótipos (WEC de hoje) em 1990. 

Frentzen começou a sair com Corinna, e o namoro durou tempo suficiente para que Schumacher a conhecesse dentro dos pits. Com o fim do relacionamento, Schumacher “aproveitou a brecha” e começou a sair com Corinna, o que gerou um mal-estar com o compatriota. Corinna e Schumacher se casariam em 1995. No entanto a rivalidade não foi para dentro das pistas. Na F1 eles disputaram poucas vezes. Na mais famosa delas, no Canadá em 1998, o futuro heptacampeão do mundo jogou Frentzen fora da pista ao sair dos pits para a ira da equipe de Heinz-Harald – a Williams. Mesmo punido com um Stop & Go de 10 segundos, Schumacher venceu aquela prova.

EUA - Brad Keselowski x Kyle Busch
A Nascar é um prato cheio para rivalidades nacionais, por se tratar de uma categoria que reúne em sua imensa maioria norte-americanos. O exemplo mais atual, com boas doses de "barraco", envolve Keselowski e Busch.

O auge da animosidade entre os dois foi em 2010. Na prova de Bristol da Nationwide Series (hoje Xfinity), ambos brigavam pela liderança. Foi quando Busch tirou Keselowski de sua frente com um toque logo depois de receber um contato de Brad. Kyle venceria a prova. No dia seguinte ambos também participariam da Sprint Cup. 

Durante a apresentação dos pilotos ao público - com direito aos próprios dizerem ao microfone nome, número e equipe - Kyle Busch ironizou as vaias que recebeu da torcida. Alguns minutos depois, Keselowski, ainda descontente com o episódio do dia anterior, se apresentou e emendou um xingamento ao seu rival, conseguindo arrancar aplausos do público. No entanto Busch não deu a mínima para as críticas, e venceu na Sprint Cup. De forma relevante, ele é o único a vencer no mesmo evento provas da Truck, Nationwide e Sprint ne história da NASCAR.

Espanha – Jorge Lorenzo x Dani Pedrosa
Desde muito jovens competindo no mundial de motovelocidade, a rivalidade entre os dois foi crescendo ao longo dos anos. O real ponto de partida foi o ano de 2005, quando ambos competiam juntos nas 250cc (atual Moto2). Pedrosa marcou a pole para o GP da Catalunha e fez um gesto obsceno para Lorenzo e sua equipe. A tensão desencadeou uma prova nervosa, com Lorenzo sofrendo um acidente na tentativa de recuperar uma posição em um adversário para se aproximar de Pedrosa. Na Alemanha, Lorenzo bateu em Pedrosa em uma manobra de ultrapassagem mal executada. No Japão, Jorge foi suspenso por uma prova após bater em Alex de Angelis para recuperar a posição de Pedrosa. 

Bicampeão das 250cc, Pedrosa subiu para a MotoGP em 2006. Lorenzo subiu em 2008, um ano após também se tornar bicampeão da categoria intermediária. Com Jorge fazendo as poles nas três primeiras provas, a relação voltou a ser tensa. No GP da Espanha, o próprio Rei Juan Carlos interviu, puxando as mãos de ambos para que se cumprimentassem. No entanto, com a maturidade, ao passar dos anos a rivalidade deixou de existir. Atualmente os dois se falam e conversam normalmente.

Grã-Bretanha – GP do México de 1964
Em uma decisão de campeonato que prometia ser bem agitada, três britânicos lutavam pelo título: o líder Graham Hill (39 pontos), o segundo John Surtees (34 pontos) e o terceiro Jim Clark (30 pontos). Com Clark pulando na frente, Hill não precisava fazer mais que um terceiro para ser o campeão. No entanto, o piloto da BRM tinha atrás a Ferrari do impetuoso Lorenzo Bandini – companheiro de Surtees. De forma demasiadamente agressiva, o italiano tentou uma manobra em Hill no início da prova mas bateu no piloto.

No acidente, o escapamento de Hill foi avariado ele perdeu potência em seu carro. Caindo posições, Surtees avançou para quarto, com Clark liderando. No entanto, para Jim a prova reservava um fim amargo, com uma quebra a duas voltas do fim. Com isso a Ferrari pôde inverter as posições entre Bandini e Surtees e fazer do britânico campeão após chegar em segundo (40 a 39, já que Hill foi apenas o 11º). Muito se discutiu após o GP, com muita gente (inclusive Hill) sugerindo que o toque de Bandini havia sido proposital. No entanto, o título ficou para Surtees – único piloto a ser campeão na F1 e na 500cc (atual MotoGP). Insatisfeito, Graham acabou inclusive enviando ao italiano um livro de formação de motoristas mais tarde

França - René Arnoux x Alain Prost
Com Renault e Elf muito presentes na F1, a década de 80 viveu o grande apogeu de franceses no campeonato, o que em alguns momentos gerou desavenças entre os pilotos.

Em 1981, o jovem Alain Prost chegou à equipe Renault para correr ao lado do já rodado e conterrâneo René Arnoux. Depois de se destacar em seu primeiro ano na equipe, chegando inclusive à frente de Arnoux no campeonato, em 1982 Prost venceu as duas primeiras provas e mais uma vez vinha fazendo um campeonato mais eficiente que o compatriota. No entanto, Arnoux marcou a pole para o GP da França e liderava a corrida. Foi quando recebeu uma ordem de equipe para deixar o Prost passar. Ele não respeitou e ganhou a prova. 

Com maiores possibilidades de título, Prost ficou insatisfeito. E, sem espaço na Renault, no ano seguinte Arnoux não renovou seu contrato e foi para a Ferrari.

Curiosamente, no dia seguinte ao episódio da França, quando foi abastecer seu carro em um posto de gasolina, Prost foi confundido pelo frentista, que pensou que ele era Arnoux. Sem nenhum constrangimento, o torcedor e disse que na posição de René (que na verdade era Alain) teria feito o mesmo. Completou dizendo a Prost: "Alain é um otário".

Este texto teve colaboração de Felipe Motta, Gabriel Lima e Erick Gabriel.

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