Bourdais acredita que adaptação de Barrichello não será fácil

Francês, que sofreu em sua ida para a Fórmula 1, vê grid equilibrado, pistas e carro novos como empecilhos para o brasileiro

Bourdais concede entrevista no Anhembi

Adaptar-se a uma categoria no automobilismo pode ser uma tarefa ingrata. Rubens Barrichello tenta a sorte na Fórmula Indy após 19 anos na F-1 e suas três primeiras corridas não foram fáceis. Como há quase 20 anos Nigel Mansell conseguiu fazer o mesmo caminho com êxito, as provas iniciais serviram para que Rubinho recebesse críticas.

Sebastien Bourdais, tetra campeão da Champ Car, sofreu a mesma dificuldade realizando o caminho inverso. Após conquistar quatro títulos em série (de 2004 a 2007), nos Estados Unidos, o francês foi competir na F-1 pela Toro Rosso. Após 27 GPs, acabou dispensado e voltou para os Estados Unidos.

Colegas de paddock por uma temporada e meia, Bourdais foi questionado pela reportagem do TotalRace se chegou a conversar com o brasileiro após sua ida para a Indy. "Nos vimos rapidamente algumas vezes, mas não falamos sobre isso [adaptação]. Todos são diferentes. Às vezes você pula em um carro e ele não é o que você gostaria. Rubens ficou na F-1 por quase 20 anos. Então é claro que haveria um choque grande em relação aos carros e as pistas."

"Tudo é muito diferente. Quando cheguei aos Estados Unidos, eu tinha apenas 23 anos, estava em uma equipe boa, a Newman-Haas, fiz pole nas duas primeiras corridas, então deu o 'clique' muito rápido. Amei o carro e tudo deu certo para mim. Não parece ser o caso do Rubens, mas ele está andando bem nas corridas. Ele não fez nada errado. O que vai acontecer no futuro eu não sei. Só espero que se diverta", acrescentou o francês.

Muitos definem a tese que o fato de Rubinho ralar para conseguir bons resultados na Indy é bom para a categoria. Mostra que não há bobo no grid. "Não há dúvida que o grid tem muita qualidade, particularmente este ano em que as fornecedoras de motores aprovaram todos os pilotos. Não temos ninguém que não devesse estar aqui. Acho que todos os times estão em nível parecido, a Penske e a Ganassi um pouco acima das demais", afirma Bourdais.

"O que dificulta muito é que se você olhar na classificação a diferença do P1 para o P9 em cada grupo é de três ou quatro décimos. É muito fácil de se ter um fim de semana ruim. Isso dá crédito à categoria, claro. Rubens é um bom piloto, sabemos disso, mas ele não está derrotando seus companheiros. Isso mostra que os carros não são fáceis de dirigir, as pistas são difíceis e mesmo para um cara experiente como Rubens as coisas não chegam rápido. Acho que para a categoria e para os pilotos há crédito nisso."

Conhecedor de São Paulo, já que esteve na cidade com a F-1, o francês brincou com o clima chuvoso desta sexta-feira. "Que tal irmos para o Rio? Toda vez que a gente vem para cá está chovendo e frio. É estranho. Isso não é o Brasil. Tive sorte em vir aqui quando estava um ótimo tempo, e pode estar muito mais legal do que isso."

"Brincadeiras à parte, é uma cidade imensa e eu não sou fã de cidades grandes, então não irei te dizer que gosto. Eu gosto do Brasil. É um país legal, as pessoas ficam animadas para se ter corridas aqui, existe conhecimento sobre o assunto. Eles veem, torcem, assistem, então é um grande cenário", celebra o piloto do carro 7.

Sobre o circuito de rua no Anhembi, Bourdais garante que São Paulo não tem do que se envergonhar. "Essa pista está na média dos circuitos de rua que temos. Não é o melhor, tampouco o pior. Nos dá possibilidade de um grande show, pois as retas são muito longas. Há muita ação e isso que os fãs querem ver. Eles não querem um desfile de carros e sim uma corrida em que os pilotos se passam. Acho que é a pista é boa."

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