Pipo Derani: "nas 24 Horas de Le Mans tudo é diferente"

Com exclusividade, brasileiro que participou da prova de resistência mais tradicional do mundo, conta detalhes inusitados de sua experiência

Inexperiência, cansaço físico e mental, preocupações com o carro e administrar os stints. Esses foram os maiores desafios do brasileiro Pipo Derani, representante do país na LMP2 nas 24 Horas de Le Mans deste ano. O piloto, que até pouco tempo fazia provas de 40 minutos na Fórmula 3 Europeia, encarou o maior desafio de sua carreia na mais difícil e desafiadora corrida de endurance do mundo. Mas o que muda fisicamente para o piloto, se compararmos as corridas que Pipo tinha antes com a que aconteceu na principal etapa do WEC?

"Fisicamente, as 24 horas são diferente de tudo. É um evento de cinco dias. Quando acabam as 24 horas, você não passou só pelas 24 horas, você passou por todos os treinos que foram à noite. A preparação começa uma semana antes."

A falta de experiência também foi um desafio importante para Pipo. " As 24 Horas de Le Mans foi minha quinta corrida de endurance. Estamos tentando diminuir a diferença de aprendizado, de corrida em corrida. Essa experiência vai me ajudar muito nas próximas de seis horas", falando sobre o campeonato do WEC, em que sua equipe está em segundo lugar no campeonato, com direito uma pole e dois pódios de Pipo.

Numa prova tão extensa, a madrugada parece ser interminável. O amanhecer parece acolhedor para quem está de fora, mas para quem está guiando: "Eu estava no carro às 4h da manhã e a corrida não acabava. Quando começa a clarear, você tem uma sensação muito boa, como se estivesse faltando pouco, mas esse 'pouco' são mais sete horas."

Mas como administrar o sono, cansaço e a concentração na corrida? Pipo falou sobre esta questão e de uma peculiaridade na classe em que competiu: " Na P2 é mais difícil. Como há um amador no carro, você tem que ser mais rápido que ele e dividir os períodos maiores com o seu outro companheiro profissional. Na P1 são três pilotos profissionais a corrida inteira", afirmou. Derani falou também do desafio de dormir sobre como conseguia dormir em La Sarthe: "Quando saia do carro, estava com tanta adrenalina, que queria ver como o carro estava indo. Mas ia para uma casa que tínhamos lá, dentro do autódromo, deitava no sofá e ficava na frente da TV. No final, eu não aguentei e acabei dormindo no caminhão. Quando me acordaram, achei que tinha dormido cinco minutos, mas na verdade tinha se passado uma hora."

Dormir não é uma das tarefas mais fáceis quando se está competindo em uma prova de endurance. Pipo conta também como as 24 Horas afetaram seu sono nos dias que sucederam sua primeira experiência em Le Mans: "Depois das 24 horas eu tive um sonho engraçado. Justamente por sempre ter que voltar ao carro, eu sempre confiava que alguém, normalmente o fisioterapeuta, iria me acordar para eu voltar à pista. Eu sonhei que estava atrasado, que não haviam me acordado. Quando despertei, dei graças a Deus por aquilo ter sido só um sonho, senão perderia o emprego."

Para os próximos compromissos do WEC, Pipo promete pisar mais fundo do que vinha pisando antes da maior experiência de sua vida: "Quando viemos de algumas corridas de quatro horas, achávamos que as de seis horas eram longas, então nas primeiras provas eu poupava o carro mais do que deveria. Depois de Le Mans, talvez não poupe tanto assim, porque eu vivi 24 Horas de prova. São experiências assim que só fez com que eu melhore", concluiu.

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Categorias Le Mans
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Tipo de artigo Entrevista