Vídeo: Após polêmica, Átila denuncia pilotos andando sem luz de freio

Piloto e chefe de equipe da AMG reclamam de punição da CBA em Curitiba e revelam que 11º na corrida 2 foi conquistado sem luz traseira

Com o plano de sacrificar a segunda prova pela vitória na corrida 1 da etapa de Curitiba, Átila Abreu ficou irritado com sua desclassificação neste último domingo (19) na décima etapa da Stock Car em 2015.

O sorocabano teve reportada por Thiago Camilo uma falha na luz traseira de seu carro, responsável por informar o piloto que vem atrás se o carro está freando. A comunicação interna da equipe Ipiranga RCM ganhou exposição na transmissão da corrida, feita pelo canal SporTV.

Não demorou muitas voltas para que Átila recebesse do diretor de prova a bandeira preta com circulo laranja, que manda que o piloto pare nos boxes para consertar um problema no seu carro que, no julgamento dos comissários, coloca os outros pilotos em risco. Ele desobedeceu à ordem e foi desclassificado logo antes da janela de pit stops.

Abreu pôde voltar para a corrida 2 em seguida. No entanto, sem tempo hábil para consertar de maneira correta o problema, no chicote elétrico, o 51 chegou na 11ª posição na segunda prova com a mesma falha em seu carro sem que a CBA lhe impusesse qualquer sanção.

Após a prova, Átila e seu time compilaram em um vídeo momentos desta temporada nos quais o piloto esteve atrás de outros pilotos que apresentaram problemas nas luzes de freio.

Confira:

(Carros – 0: Cacá Bueno, 80: Marcos Gomes, 88: Felipe Fraga, 110: Felipe Lapenna)

Falando ao Motorsport.com, Átila disparou contra a decisão da CBA. “A grande conclusão que tiramos é a falta de critério”, disse. “Tem carro em Santa Cruz do Sul (Felipe Fraga) que termina com a luz queimada e larga de novo com a luz queimada. A regra não é aplicada para todos.”

“Estamos sujeitos ao humor de quem nos julga e não às regras. Fizemos um checklist antes da prova, mas acabei tendo problema com o chicote elétrico. E aí o Camilo falou que estava perigoso pelo rádio, criou toda aquela situação.”

Thiago Camilo teve o mesmo problema de Átila na etapa do Velopark no ano passado. Ele pôde terminar a prova e teve um nono lugar computado.  No entanto, na segunda prova, ele foi obrigado ir aos pits durante a volta de apresentação, já que não existe abertura para o pit lane no muro do autódromo localizado em Nova Santa Rita (RS). O carro não poderia ser removido do grid para o box. Camilo não consertou o problema e acabou sendo excluído da prova.

Átila completou: “O Thiago gosta de dar uma valorizada, mas ele teve o resultado da primeira corrida no Velopark contabilizado. Apenas na segunda prova ele foi desclassificado. Essa deveria ser minha punição. Deveria poder terminar a prova e consertar depois”.

Chefe da equipe AMG Motorsport, Tiago Meneghel diz que um ‘acordo de cavalheiros’ feito pela direção de provas previamente foi descumprido em Curitiba.

“Procuramos e encontramos o ponto no regulamento técnico da categoria. Mas fala apenas que o carro tem de ter o limpador de para-brisa funcionando, fala da parte elétrica e das luzes de freio funcionando. Não fala em tipo de punição, nada referente a isso”, disse ao Motorsport.com.

“Você separa do carro frequentemente a parte traseira, e às vezes temos problemas de mau contato ali – o que não foi o caso. O procedimento adotado pela categoria é que se essa falha acontece durante uma corrida, a direção de prova deixa o carro terminar a prova. Só que a partir do momento em que o carro entra no box ou termina uma prova, a equipe é obrigada a solucionar o problema antes de voltar para a pista. No nosso caso, a punição seria largar dos pits na segunda prova.”

Para Átila, o problema em seu carro não representou um perigo real para os outros pilotos. “Fórmula 1, kart e NASCAR não têm luz de freio. Na chuva eu concordo, a visibilidade é menor. Mas no seco, não.”

“Óbvio que se você tem a lanterna, ela tem de funcionar. Mas falhou, e você não pode ser excluído da prova por isso.”

Procurando a CBA depois da corrida, o piloto do carro 51 disse que foi alertado que a transmissão do SporTV não foi utilizada para a punição. Segundo a confederação, um comissário é responsável por isso. “A CBA me disse que tem um comissário que fica na pista reportando se tem carro com fibra solta e com luz falhando”, disse.

“Pedi para checarem o de todos os carros antes da segunda corrida, mas me falaram que não poderiam porque não tinham gente suficiente para fiscalizar. Ou seja,  para mim essa história de que tem um comissário na pista não é verdade.”

“Na segunda corrida tive o mesmo problema e finalizei normalmente. Sai de 33º e fui para 11º. Não era o centro da atenção e não fizeram nada.”

O piloto diz que irá adotar tolerância zero a partir de agora quanto a irregularidades de outros competidores. “Não tenha dúvida. Primeiro vou questionar no briefing, para saber o que vale e o que não vale, e vou fiscalizar. Independente da regra, ela tem de ser igual para todos. É o que eu peço. Mas se disserem que sim, vou denunciar.”

Não é a primeira vez que uma punição é dada após veiculação de um rádio na transmissão de TV neste ano. Em Ribeirão Preto, o pentacampeão Cacá Bueno chamou os comissários da CBA de “bando de imbecis” após não ter recebido a bandeirada da corrida 1. O piloto da Red Bull foi suspenso pelo STJD em uma etapa pela ofensa.

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