Conheça: francês é primeiro tetra-amputado a disputar Dakar

Philippe Croizon é o primeiro tetra-amputado participando do Dakar. Ao volante de um BMW X6 adaptado, ele espera cumprir o seu novo objetivo, depois de atravessar a nado o Canal da Mancha e quatro estreitos que ligam cinco continentes

A vida pode mudar em segundos. Se você tem 26 anos, um filho e sua esposa está esperando o segundo, tudo o que acontece pode mudar os sonhos que você construiu e aqueles que estavam por vir. Isso é o que aconteceu com o francês Philippe Croizon em uma tarde de março, quando reparava a antena de sua casa em Saint-Rémy-sur-Creuse.

Um forte choque elétrico obrigou os médicos que o trataram a amputar os quatro membros. Mas ele resolveu não parar. Em 2010 ele decidiu cruzar o Canal da Mancha, e depois de intenso treinamento, conseguiu o feito em menos de 14 horas.

Philippe Croizon

Philippe Croizon

Foto: ORECA

Mas Croizon não parou por aí. Seu entusiasmo pela vida o levou a passar por quatro estreitos dos cinco continentes desde 2012: Bering (Ásia-América), Gibraltar (Europa-África), Vermelho (Ásia-África) e da Austrália para a Ásia.

"Isso representa o início de uma aventura humana", diz Croizon ao Motorsport.com na sua estreia no Dakar.

"Minha esposa me disse uma manhã: 'você não tem feito muitas coisas ultimamente, o que você quer fazer?' E eu disse:'o Dakar'", contando como decidiu embarcar neste novo e difícil desafio.

"A primeira coisa que fiz foi chamar Yves Tartarin para ser o líder da equipe, porque ele já fez 18 Dakars. Então eu chamei engenheiros para preparar o carro e lhes disse que tinha quatro meses para fazer um modelo adaptado."

Croizon guia seu BMW X6 com um jostick hidráulico com o braço direito. Acelera, freia, vai para trás e vira com movimentos laterais. Com o outro braço ele muda as marchas. 

Para se preparar, ela completou o rali do Marrocos e a Baja espanhola. 

"Quando voltei do Marrocos, dormi por três dias. Quando eu voltar do Dakar, vou dormir por um mês", brinca com um sorriso no rosto.

Na edição de 2016 das 24 Horas de Le Mans, Frederic Sausset, também francês, se tornou o primeiro tetramputado a ver a bandeira quadriculada na lendária prova francesa.

Mas não passa na cabeça de Croizon imitar seu compatriota: "eu não gosto de correr em circuitos, são muito monótonos."

"A chave é a concentração. Porque no mar você pode pensar em outras coisas enquanto está cansado. Mas quando você estiver focado, você não pode se dar ao luxo de perder tempo."

Sua preparação física tem se concentrado em melhorar sua aptidão cardiovascular: "tento não acelerar o coração e, portanto, me mantenho mais resistente por muito mais tempo."

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