Dakar pensa em possível retorno à África

Após anunciar que terá sua rota em apenas um país na edição de 2019, a ASO volta a olhar para o continente africano

A volta do Dakar à África pareceu uma utopia impossível nos últimos 10 anos, já que em 2008 a rota que levaria os competidores de Lisboa a Dakar (Senegal) em 15 etapas passaria por Portugal, Espanha, Marrocos, Mauritânia e o Senegal foi cancelada.

A situação política complicada na região e a instabilidade causada pelo grupo terrorista Al Qaeda, primeiro, e o autoproclamado Estado Islâmico, mais recentemente, tornaram impossível a volta da competição ao continente, até os últimos meses.

A ASO, organizadora do Dakar, foi colocada em uma situação complicada depois de anunciar que apenas o Peru receberá a 41ª edição do rali em janeiro próximo, após a desistência de Chile, Bolívia e Argentina em sediar a competição. Portanto, Etienne Lavigne e sua equipe começaram há alguns meses a consultar alguns governos africanos sobre um possível retorno para casa.

Em entrevista ao Motorsport.com, Lavigne respondeu claramente à questão de saber se eles consideraram retornar à África após os recentes inconvenientes: "Sim, sim. Você pode imaginar que, com o contexto deste ano, é uma necessidade para nós pensarmos sobre outros locais de trabalho, outras geografias, porque não podemos nos manter em uma situação de difícil por decisões que não podemos controlar".

"Começamos a trabalhar por vários meses para construir contatos com outros países, como a Argélia, por exemplo, ou Angola e Namíbia. Fizemos várias viagens à Argélia para nos reunirmos com os líderes políticos e sabemos que há uma disposição para receberem um evento desse tipo”, revelou o diretor francês.

"Não podemos permitir essa situação, porque somos o ator principal da disciplina há 40 anos. O Dakar é o maior rali do mundo e o mais importante em todos os níveis. Por isso, precisamos planejar um futuro, pois temos uma responsabilidade, não apenas com os negócios da ASO, mas com toda a categoria em geral. Todas as equipes e pilotos esperam todos os anos para ter um Dakar atraente e interessante. É por isso que você tem que pensar em outros países para as próximas edições."

O Dakar acontece desde 2009 na América do Sul, depois de cancelar a edição de 2008 um dia antes da largada, após o assassinato de cinco turistas franceses, ocorrido uma semana antes do início da competição, na cidade de Aleg, a 250 quilômetros da capital da Mauritana, Nouakchott.

A última vez que o Dakar passou pela Argélia foi em 1993 - liderado por Gilbert Sabine, pai do lendário criador da corrida, antes de vendê-la ao grupo Amaury e na qual menos veículos chegaram à linha de chegada, 67 -, quando o país do norte da África abrigou seis etapas e o dia de descanso. Um ano antes, o Dakar passou por Angola e Namíbia antes de terminar na Cidade do Cabo, na África do Sul.

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