Sette Câmara: "Na Red Bull tenho que brigar pelo campeonato"

Destaque da F3 europeia e recém-contratado para o programa de desenvolvimento da Red Bull, Sérgio Sette Câmara falou sobre contratação em entrevista exclusiva ao MOTORSPORT.COM

Sérgio Sette Câmara foi o grande destaque brasileiro da F3 europeia, uma das categorias mais prestigiadas do automobilismo. Fazendo temporada completa pela primeira vez em 2015, em uma equipe também novata, ele conseguiu terminar o campeonato na 14° posição, com direito a dois pódios. Além disso, terminou o campeonato à frente de Pietro Fittipaldi, que também estreava na competição.

Os resultados e o desempenho foram tão bons que levantou o interesse de um dos programas de jovens pilotos mais cobiçados do automobilismo: o da Red Bull. Em visita à redação do MOTORSPORT.COM, Sérgio falou sobre como surgiu a aproximação da equipe austríaca.

"Em meados de novembro eles nos contataram antes da corrida de Macau, por meio do meu chefe de equipe e ele me avisou: 'Dr. Helmut Marko pediu seu número de telefone e ele poderá te ligar a qualquer momento'."

"Ele acabou me ligando dez minutos depois desse recado. Marcamos de nos encontrar na Áustria no dia seguinte. Pegamos um voo correndo e fomos para lá."

"A conversa foi muito positiva, ele me perguntou sobre minha carreira, sobre preparação física, peso, altura, etc. Saímos de lá otimistas e que poderíamos assinar após a corrida de Macau, e foi o que aconteceu. Foi tudo muito rápido, esse processo aconteceu dentro de duas semanas." 

Sergio Sette Camara, Motopark Academy, Dallara F312 Volkswagen
Sergio Sette Camara, Motopark Academy, Dallara F312 Volkswagen

Photo by: XPB Images

Se por um lado a entrada na escuderia que mais revela pilotos pode ser uma bela oportunidade de entrada na F1, por outro, ela também tem a fama de ser muito rígida. Sobre isso, o jovem piloto de 17 anos comentou com tranquilidade.

"Todo piloto jovem quer entrar em um programa de pilotos de uma equipe de Fórmula 1. Você sabe que se mostrar resultados, as oportunidades aparecem."

"Qualquer piloto sofre pressão desde jovem. Quando ele está no kart, a família faz um grande esforço e ao mesmo tempo também há a pressão para que venham os resultados. Sobre a pressão na Red Bull, eles foram muito claros: da mesma maneira que foram rápidos na minha contratação, eles podem chegar e dar tchau e estou ciente disso. Acredito que essa pressão não vai afetar meu desempenho. Vejo mais como uma oportunidade."

Uma das pessoas que entrevistaram Sérgio foi Helmut Marko, comandante do programa de desenvolvimento da Red Bull. O ex-piloto não falou muito, mas o pouco que conversou, impressionou o brasileiro.

"Nas entrevistas, o Dr. Helmut Marko só falou o necessário. Disse também que quem está levando o nome Red Bull tem que brigar por campeonato."

A boa campanha na F3, sendo praticamente um novato - ele chegou a fazer poucas provas em 2014 pela categoria -, em uma equipe também estreante, a Motopark, vindo diretamente de competições de kart, fez com que houvesse o interesse do time. Pelo menos é o que acredita Sette Câmara.

"Havia vários pilotos que pularam do kart diretamente para a F3, que não fizeram uma Fórmula Renault ou F4. Dentre eles, eu fui o melhor e também acredito que a Red Bull leva em consideração a equipe em que o piloto está."

"A minha equipe é muito competente, muito boa, mas é novata, entrou na categoria somente este ano. Eu consegui andar à frente de outros pilotos de times mais tradicionais da F3 e meu ano não teve grandes oscilações, então acredito que isso deu confiança para quem vai investir em algum piloto."

"Acho que eles levaram em consideração a falta de experiência minha e da equipe, com os bons resultados que tivemos na pista."

Sergio Sette Camara, Motopark Dallara Volkswagen
Sergio Sette Camara, Motopark Dallara Volkswagen

Photo by: FIA F3 / Suer

Ao contrário de boa parte dos pilotos brasileiros que se mudam para a Europa, Sérgio não foi para a Inglaterra. Hoje ele mora, estuda e treina a parte física no Centre D’Alt Rendiment (CAR), na cidade de Sant Cugat del Vallès, região de Barcelona, na Espanha. Lá, outros grandes atletas tiveram a mesma rotina que o brasileiro enfrenta.

"Dr. Marko disse que ao fazer parte do programa da Red Bull eu teria que morar no QG da equipe para facilitar os treinamentos. Mas antes eu já havia explicado a ele onde eu morava e porque estava lá."

"Então pelo fato dele também já conhecer o lugar, eu não precisarei sair da Espanha. Ele conhece e confia no lugar, já que a Red Bull também investe em pilotos de moto e muitos também estão no CAR. Minha rotina não vai mudar muito pelo fato de não precisar me mudar para a Áustria."

Colaboraram Fábio de Mello Castanho e Gabriel Carvalho

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Sobre este artigo
Categorias F3 Europe
Pilotos Sergio Camara
Tipo de artigo Entrevista