Fã de Lauda, Drugovich atribui vitórias a lado psicológico

Piloto brasileiro de 17 anos, que lidera Euroformula Open, fala de suas aspirações na carreira e de como evoluiu na Europa, em entrevista exclusiva para o Motorsport.com Brasil

Felipe Drugovich, de 17 anos, lidera a Euroformula Open, campeonato que utiliza carros equivalentes ao da F3, com o apoio da Dallara. Na etapa de Estoril, ele venceu a primeira corrida e foi o segundo colocado na segunda prova, somando 44 pontos, seis a mais que o argentino Marcos Siebert.

O paranaense de Maringá já tinha conquistado o título da MRF Challenge no Oriente Médio, competição que começou no fim de 2017 e terminou no início do ano, com 10 vitórias e um domínio absoluto.

Falando com exclusividade ao Motorsport.com Brasil, Drugovich explica como foi o processo de mudança, que permitiu a ele começar a colher grandes resultados, morando na Europa desde 2013, quando ficou até 2015 competindo no kart no ‘Velho Continente’.

“É um conjunto de fatores, você vai melhorando mentalmente, do jeito que eles trabalham aqui, que é um pouco diferente do Brasil. Cada vez que você sobe de categoria, os métodos que você tem que se adaptar vão mudando e você tem que se aperfeiçoar. Eu melhorei muito mentalmente, fico mais tranquilo, mais concentrando, sabendo o que fazer na hora certa, mas isso vem sempre com a experiência.

Drugovich revela que ainda não consegue chegar ao ponto de só pensar nas ações em pista, já que a busca de patrocínios também ainda é um fator de sobrevivência na Europa. Ele ressalta o apoio que recebe do tio, o bicampeão da Fórmula Truck (1998-99) Oswaldo Drugovich Jr.

“Não consigo ainda pensar só em correr, pensando também na questão financeira, já que é o esporte mais caro que tem. Meu tio, que tem a Drugovich Autopeças, que me ajuda desde o começo, é quase como um pai e a maior parte do orçamento vem dele.”

Futuro e um ídolo austríaco

Vivendo a melhor fase da carreira, Drugovich tem, naturalmente o sonho de chegar à Fórmula 1, mas não se sentiria desiludido, caso a meta seja interrompida por algum motivo, mas admite que ainda não tem um plano B.

“É lógico que o meu alvo é a F1, você tem que mirar o mais alto possível e é isso que estamos buscando, mas tem muitas outras categorias ótimas, como o DTM, o WEC, Super Fórmula, que são categorias excepcionais. Então eu não tenho esse plano B, mas não ficaria triste em correr nestas categorias.”

Por falar em Fórmula 1, quando perguntado sobre quais são os ídolos dentro do esporte, o jovem cita aquele escolhido de 9 entre 10 pilotos brasileiros, mesmo os mais novos, e outro pouco lembrado por aqui.

“Como todo piloto brasileiro, acho que o Senna é o melhor de todos, mas eu gosto de outros como Niki Lauda e o Mika Hakkinen, mas vou sempre tentar me espelhar no Senna.”

O sobrenome Drugovich é de origem austríaca, já que o lado da mãe de Felipe vem do país com tradição de grandes pilotos na F1: “Meu tio sempre falou dele [Lauda] para mim, minha família inteira gosta dele, possivelmente porque ele é austríaco, mas, de alguma forma, eu gosto do estilo dele.” 

“Existem perguntas como ‘nossa, você é brasileiro?’ e eu respondo, ‘sim, eu sou’. O sobrenome indica alguma parte eslava, mas sempre fiz questão de correr com a bandeira brasileira, mesmo tendo a carteirinha de piloto italiana, já que eu também tenho passaporte italiano, mas faço questão de correr com a bandeira do Brasil.”

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Categorias Eurofórmula Open
Pilotos Felipe Drugovich
Tipo de artigo Entrevista