Análise: FIA quer proteção para cockpit pronta em 2017

Diretores técnicos da Fórmula 1 terão reunião crucial em Heathrow na próxima sexta-feira; juntos, eles desejam resolver questões sobre a proteção da cabeça dos pilotos e consolidar pacote de mudanças nas regras para 2017

Se as equipes da Fórmula 1 ainda não entraram em um consenso sobre a amplitude das modificações aerodinâmicas para a temporada 2017, há um item na agenda que é unanimidade entre os diretores técnicos e há o desejo de avançar na direção de respostas definitivas: a proteção para a cabeça dos pilotos.

Após anos de pesquisa e pressão crescente com as mortes de Jules Bianchi e Justin Wilson, o Motorsport.com entende que Charlie Whiting, diretor de provas da F1 e delegado de segurança da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) irá propor a introdução das proteções de cockpit já na próxima temporada.

A Associação dos Pilotos (GPDA) apoia fortemente o conceito e deseja ver a aplicação da ideia o mais breve possível. E, olhando para o panorama global, o que a F1 decidir eventualmente será introduzido nas demais categorias de monopostos no mundo, então é uma decisão importante para o esporte.

Conceito da Mercedes

Whiting e o especialista da FIA, Andy Mellor, têm estudado uma série de soluções para proteger a cabeça dos pilotos. Tudo começou com um conceito igual ao da cobertura da cabine dos caças, mas houve avanços significativos em 2015. A ideia sugerida pela Mercedes - uma proteção parcial - surgiu como a melhor das ideias que foram testadas.

O conceito dos alemães ainda não é definitivo e os detalhes seguem sendo discutidos - visibilidade em alguns pontos como a Eau Rouge e das luzes de largada, além das implicações estruturais no chassi. Entretanto, a FIA está determinada a introduzir a ideia em 2017. Em resumo, as discussões precisam ser encerradas e o conceito aplicado.

Apoio dos pilotos

A GPDA apoia a implementação da proteção nos cockpits e colocou o peso da própria influência a favor da adoção das coberturas o mais breve possível. O presidente da Associação, Alex Wurz, tem acompanhado de perto o desenvolvimento da ideia.

"Eles têm feito uma série de testes, que se intensificaram por causa dos acidentes que vimos na F1 e em outras categorias. Queremos uma solução aplicável não somente à F1, mas para as demais categorias e que não traga efeitos negativos para a saída dos carros, por exemplo", disse Wurz ao Motorsport.com.

No momento, Wurz concorda que o conceito apresentado pela Mercedes é o suficiente para o momento, mas diz que uma cobertura integral pode ser adotada daqui a alguns anos. "Talvez no futuro possamos adotar coberturas semelhantes às dos caças, mas isso é muito pesado e caro no momento, precisamos de mais tempo para adotar tal solução", afirmou.

"Talvez isso aconteça porque possui alguns outros aspectos interessantes. Mas os experts e pilotos concordam que o Halo deve ser adotado, e nós esperamos que isso seja formalizado na sexta-feira com a concordância dos diretores técnicos.

"Eles terão muitas coisas para discutir e uma delas será a proteção contra impactos na cabeça. Mas, eles deverão ser inteirados das pesquisas.

"Isso diz respeito a segurança e, em teoria, a Fia deve decidir isso por conta própria, mas isso exigirá uma mudança na estrutura do chassi e isso envolverá a participação de todos no trabalho."

Testes recentes

Em Austin, no ano passado, Wurz esteve presente na apresentação de conceitos para proteção do cockpit aos pilotos e para a mídia. Naquele momento, não estava claro se as medidas seriam adotadas em 2017, mas agora é praticamente certo que aconteça.

"A situação mudou e avançou, pois em Austin eles ainda estavam em testes de campo, o que Andy Mellor finalizou na semana passada. Eles arremessaram uma série de objetos nas proteções, de diferentes ângulos. O conceito da Mercedes foi o que melhor atendeu nossas exigências", disse.

O austríaco ressaltou, entretanto, que nenhuma solução no momento protegerá totalmente os pilotos contra um eventual choque com outro carro na altura da cabeça. "Não tenho certeza de que, com a tecnologia atual, possamos proteger um piloto 100% contra um carro que decole e venha na direção dele."

"Devemos confiar nos especialistas, eles estão fazendo o melhor que podem. Até onde sabemos, todos estão satisfeitos e entrando em acordo quanto à implementação da ideia", afirmou.

Diálogo com a FIA

O ponto é que os pilotos desejam que algo seja feito neste sentido e isso foi comunicado à FIA. "Tivemos uma reunião no mês passado, com todos os pilotos presentes, e foi dito que queremos mais proteção para a cabeça", disse Wurz.

"Confiamos na FIA e, como consequência, eles nos mostraram o trabalho de pesquisa que estavam fazendo. Então dissemos a eles para seguir em frente, pois gostamos do que vimos e apoiamos totalmente a ideia. O pessoal da FIA é muito bom no que faz em relação à segurança, já vimos isso no passado. Não se esqueça do quanto a F1 alcançou nos últimos 30 anos em relação ao tema", afirmou.

F1 com nova cara

Qualquer solução que vier a ser aplicada fará com que os carros mudem significativamente de aparência - o que pode gerar estranhamento no início e o público pode precisar de um bom tempo para se acostumar. 

No entanto, as mudanças no regulamento para 2017 já incluem modificações na aparência dos carros e a proteção pode integrar o pacote. "No mundo da pesquisa, a funcionalidade sempre vem em primeiro lugar, depois vem a preocupação com a aparência", disse o presidente da GPDA.

"Ainda precisamos calcular a rigidez e a carga suportada pela proteção, mas há tempo hábil para isso. Tenho certeza de que o resultado será agradável de se ver. E, no fim das contas, um novo acidente fatal ou com sequelas graves não seria agradável de se ver", completou.

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