Análise: O que o futuro reserva para uma F1 sem Ecclestone?

Categoria inicia uma nova era, sob nova liderança; muitos fãs esperam que a mudança faça o esporte deixar um período de intransigência e se tornar épico novamente

Em uma semana inesquecível para a F1 - com os acionistas do Liberty Media aprovando sua aquisição - a gigante da mídia americana tirou Bernie Ecclestone do comando e colocou seu principal dirigente à frente da categoria.

A mudança veio após anos em que a F1 parecia esperar por mudanças que os chefes de equipe achavam necessária para o esporte, que estava ficando para trás

Quando as equipes votaram por unanimidade as propostas de Ecclestone, como a alteração na classificação no ano passado, por exemplo, embora sabiam que o conceito estava condenado e que a F1 não precisava disso, ficou claro que o sistema já havia sido quebrado. Nunca houve apoio suficiente para iniciar uma revolução necessária.

A cada passo, Ecclestone era capaz de permanecer à frente, dinamitando situações certas quando as equipes estavam começando a se tornar uma força unificada.

No final, a mudança veio de fora e mudou as regras do jogo, com até mesmo alguns dos mais leais  aliados de Ecclestone aceitando que as oportunidades oferecidas pelo Liberty sacudirão a F1 para torná-la maior, melhor e mais popular.

Talvez o mais importante é que o grupo Liberty oferece tudo o que Ecclestone nunca fez: ver a F1 no longo prazo.

No final da última temporada, Christian Horner, da Red Bull, que pode ter sido o chefe de equipe mais próximo a Ecclestone, falou sobre a necessidade de adotar atitudes para fazer mudanças profundas e implementar uma estratégia adequada para a F1.

"Minha opinião sempre foi o de tentar olhar com bastante antecedência, e evitar a improvisação atual", disse ao Motorsport.com. "Acho que o problema que as equipes enfrentam, e são todos culpados, incluindo nós, é tentar proteger a sua posição competitiva."

"Quem sabe o que vai acontecer em cinco anos? Então porque não tentar no caminho nos livrar de túneis de vento, limitarmos o CFD, introduzir um motor aspirado com um híbrido padrão ou suprimir a tecnologia KERS?"

"Você pode reduzir os custos, criando significativamente um grande show."

Chase Carey, Sean Bratches e Ross Brawn. A F1 tem três indivíduos muito inteligentes que sabem que este esporte precisa voltar a ser "impressionante novamente", como disse Nico Rosberg em um tweet na segunda-feira à noite.

Mas, apesar do grande terremoto que abalou a F1, o fato é que a vida após Ecclestone será diferente, é pouco provável que você vai ver uma revisão radical das coisas imediatamente.

Nós tivemos sinais sobre o que o Liberty quer fazer: mais corridas nos Estados Unidos, garantir o coração Europeu, fazer dos grandes eventos um "Superbowl", uma melhor utilização dos meios digitais, mudar a estrutura de premiação, construir uma base de fãs, conseguir receitas de TV e usar a realidade virtual.

Mas nada disso será alterado rapidamente. No ano passado, Brawn deixou escapar uma pista sobre o que ele considera necessário se o seu papel fosse ajudar a F1.

"Se você me perguntar o que a F1 precisa, a minha resposta é: um plano de três a cinco anos", disse ele em entrevista ao The Daily Telegraph. "Minha opinião é que nós temos a solução ideal para criar esse plano e sua execução."

Acordos bilaterais entre equipes e F1 expiram em 2020, que é também o momento em que os regulamentos atuais terminam.

Horner sugeriu que as regras esportivas, como as introduzidas em 2017, que fará com que os carros sejam mais rápidos e mais difíceis, não era o que a F1 precisava, e a categoria precisava de uma análise mais aprofundada.

"Eu ainda sou a favor de retornar a unidade de potência que gere mais ruído e emoção. Faz parte do DNA da F1."

"Estávamos todos presentes no Japão (no ano passado) quando a Honda usou a McLaren de Ayrton Senna, e quando ela passou pelo pitlane todos os membros das equipes que estavam nos boxes saíram para vê-la. Acho que a Fórmula 1 é isso, e é algo crucial a ser abordado para o futuro a longo prazo."

"Acho que o tecnologia dos motores atuais maravilhosa, mas qualquer espectador não tem ideia do que está acontecendo. E acho que devemos tentar fazer a nova Fórmula 1 um entretenimento absoluto. E parte desse show é o motor."

Então, na verdade, as bases para uma nova F1 a partir de 2021 é a mais realista, e pode se tornar um esporte com uma estrutura de negócios totalmente diferente, com carros e motores diferentes e vistos em diferentes plataformas.

Na verdade, talvez o fator "entretenimento" seja crucial. Assim, a F1 deve tomar decisões importantes sobre o que ela quer ser: um show, uma tecnologia que inova ou um esporte puro.

Para o diretor-executivo da McLaren, Zac Brown, a direção que você precisa ir na F1 é simples: envolver os fãs, e o resto vai cuidar de si mesmo.

"Na próxima década, espero que a forma de trabalhar na Fórmula 1 seja mais livre e amigável com os fãs, e como tal, podemos esperar para ver novas gerações de fãs de F1 felizes por meio das mídias digitais, redes sociais, jogos etc.", disse na segunda-feira à noite.

"A participação dos fãs é a chave nesses tempos e é claro que os caras do Grupo Liberty Media tem o know how  para isso."

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Sobre este artigo
Categorias Fórmula 1
Tipo de artigo Análise