Análise: por que asas serradas retornaram à Fórmula 1

Giorgio Piola e Matt Somerfield explicam conceito utilizado por Ferrari e Mercedes durante os testes de pré-temporada

Nos testes, vimos uma nova tendência entre as equipes. Asas traseiras serrilhadas em suas bordas. Não é uma ideia nova, mas é interessante que tenham voltado aos projetos atuais, conforme as equipes procuram maneiras de encontrar ganhos dentro dos limites dos regulamentos.

Ideia da McLaren

 

McLaren MP4/29 rear wing vortex
McLaren MP4/29 asa traseira

Foto: Giorgio Piola

Vamos começar a nossa jornada em 2014. Em Hockenheim, a McLaren chegou com uma nova asa traseira inspirada pela natureza de desenhos que tinham sido usados antes.

A asa do plano principal e a ponta da aba superior tinham formas de articulação esculpidas, algo que os biólogos marinhos reconheceriam como tubérculos - pequenos nódulos encontrados nas barbatanas dorsais de baleias.

A investigação sugere que estas formas melhoraram a capacidade de manobra do ar, permitindo um ângulo de inclinação de ataque antes de ocorrer a separação, melhorando o desempenho. Ao mesmo tempo, a extensão da superfície parece melhorada, reduzindo a força do vórtice e reduzindo o arrasto.

Isso foi claramente algo que a McLaren sentiu que naquele ponto de seu ciclo de desenvolvimento valia a pena explorar. Que aquilo remediaria algumas das suas ineficiências.

 

Mercedes W06 front wing Sochi & front wing bottom view
Mercedes W06 asa dianteira Sochi

Foto: Giorgio Piola

Em 2015, a Mercedes propôs novamente esta ideia, a usando em sua asa dianteira. Foi colocada uma tira serrilhada na borda de saída de uma das asas.

Isso não só deu uma melhoria direta à asa, mas também impulsionou o fluxo de ar que desloca no ponto de separação na aba superior também, melhorando o desempenho.

 

Mercedes AMG F1 W06 rear wing
Mercedes AMG F1 W06 asa traseira

Foto: Giorgio Piola

Nas últimas corridas de 2015, a Mercedes também usou serrilhas na asa traseira, algo que tentou novamente durante os testes de pré-temporada deste ano.

Como nossas fotos exclusivas mostram, eles usaram uma asa serrilhada (acima), montada em diferentes alturas nas abas. Provavelmente fizeram isso antes de compor uma asa padrão com as serrilhas desejadas.

 

Mercedes W07 serrated main flap rear wing
Mercedes W07 

Foto: Giorgio Piola

No último dia de teste, uma nova asa traseira superior chegou. Ela é compatível com as novas placas terminais que foram testadas no início da semana.

 

Mercedes W07 serrated main flap rear wing (yellow inserts)
Mercedes W07

Foto: Giorgio Piola

Esta nova aba é uma representação física dos testes que já haviam sido realizados pela equipe.

Como você pode ver, a partir do meio de ambos os lados há uma serrilha adjacente (em amarelo), feita de forma a cumprir os regulamentos.

 

Ferrari SF16-H serrated gurney flap rear wing
Ferrari SF16-H gurney serrado

Foto: Giorgio Piola

Para não ficar atrás dos atuais campeões, a Ferrari também voltou sua atenção para abas serrilhadas, com um teste de curta duração onde usou um gurney sobre o aerofólio.

O projeto de gurney não é utilizado pela primeira vez ​​na Fórmula 1, a Williams em 2004 e a Renault em 2005 usaram dispositivos de borda serrilhada em uma tentativa de melhorar a eficiência global de suas asas (abaixo).

 

Williams FW26 rear wing Monza & Renault R26 rear wing Budapest
Williams FW26 Monza & Renault R25 Hungaroring 

Foto: Giorgio Piola

Parece que há muita vida em algumas ideias antigas.

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Sobre este artigo
Categorias Fórmula 1
Equipes Ferrari , Mercedes
Tipo de artigo Análise