Andretti: eu poderia ter desafiado Senna em Donington-93

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Andretti: eu poderia ter desafiado Senna em Donington-93
8 de ago de 2018 10:55

Parceiro de equipe do tricampeão na época, americano abandonou logo na primeira volta, enquanto que brasileiro teve atuação mágica

Michael Andretti, McLaren MP4/8
Ayrton Senna, McLaren speaks with his engineers and Michael Andretti, McLaren.
Karl Wendlinger, Sauber and Michael Andretti, Mclaren Ford make contact
Karl Wendlinger, Sauber C12 and Michael Andretti, Mclaren MP4/8 made contact and retired in the gravel
Michael Andretti, Mclaren MP4/8, in the gravel after making contact with Karl Wendlinger, Sauber
Michael Andretti, McLaren MP4/8
Michael Andretti, McLaren MP4/8
Ayrton Senna, McLaren MP4/8

Companheiro de equipe de Ayrton Senna por boa parte da temporada de 1993 da F1, Michael Andretti acredita que poderia ter desafiado o brasileiro pela vitória no lendário GP da Europa daquele ano, disputado em Donington Park.

A ocasião, que havia sido a terceira corrida do campeonato, foi marcada por uma das atuações mais memoráveis de Senna. Sob chuva, o brasileiro ultrapassou vários rivais na primeira volta, incluindo as Williams de Damon Hill e Alain Prost, e venceu a prova com mais de um minuto de vantagem para o concorrente mais próximo.

Andretti, por sua vez, abandonou logo na primeira volta, graças a um acidente sofrido com Karl Wendlinger, da Sauber. Em entrevista ao site oficial da McLaren para celebrar os 25 anos de sua passagem pela F1, Andretti disse que teria condições de perseguir o brasileiro de perto caso não tivesse saído da corrida tão cedo.

“Em Donington, me classifiquei em sexto, e, no warm-up, Senna e eu estivemos entre os mais rápidos. Nunca tive um carro tão bom quanto aquele no molhado. Parecia que estávamos no seco”, disse o americano.

“E foi ali que eu cometi, provavelmente, meu maior erro do ano. Tive uma boa largada, acho que subi para terceiro, e estava tentando passar Wendlinger. Fui ambicioso demais. Acho que ele podia ter me dado espaço, mas não deu, e acabamos batendo.”

“Eu realmente acho que eu poderia ter disputado contra ele [Senna], essa é a pior parte. Meu carro estava bom demais. Eu estava perto dele na largada. Eu ainda me puno por aquilo! Aquele foi o meu maior erro no ano.”

Aquele não foi o único contratempo de Andretti na temporada, e o excesso de acidentes fez com que muitos criticassem seu comprometimento à F1 – já que competia por boa parte do ano na Europa, mas ainda morava nos Estados Unidos.

O ex-piloto não acredita que isso era problema. “As pessoas adoram dizer isso, e acho que Ron [Dennis, então chefe da McLaren] gostava de usar isso como desculpa”, disse. “Eu poderia estar lá em seis horas devido ao [avião de alta velocidade] Concorde, e eu nunca me desconectei. Sempre ficava no horário europeu quando estava nos Estados Unidos. Eu podia chegar a Woking [sede da McLaren] quase tão rapidamente quanto Senna, que vivia em Mônaco”, contou.

Relação com Senna

Andretti acabou demitido da McLaren antes mesmo do término da temporada, entre os GPs da Itália (quando conquistou seu único pódio) e de Portugal. Mesmo assim, o americano relata que teve uma relação bastante amigável com Senna.

“Ele era incrível. Ele sabia do que os carros eram capazes de fazer, mas eu ainda estava aprendendo os limites. Nós dois ficávamos [trabalhando] até tarde da noite. Com a suspensão ativa, nós podíamos dissecar cada curva, e podíamos fazer com que o carro fizesse tudo o que queríamos. ‘Abaixe e dianteira aqui, na entrada da curva, e depois a levante na saída’. Havia muitas coisas que podíamos fazer. Sinto que, se eu tivesse mais um ano, eu estaria em pé de igualdade com os melhores.”

“Ayrton era incrível, nos tornamos bons amigos. Todos sabiam que ele era um cara especial. Para dizer o tipo de cara gentil que ele era, a corrida seguinte [à sua demissão] foi Portugal. Ele teve uma coletiva de imprensa e disse o quão injustamente eu fui tratado, e que eu era um de seus melhores companheiros de equipe que já teve. Ele estava me apoiando e viu o que aconteceu.”

“Ele sabia o quão rápido eu era quando testávamos, então ele sabia o que estava acontecendo. Foi legal que ele tenha feito isso. Ele foi o primeiro a me telefonar quando eu venci a corrida da Indy na Austrália [em março de 94]. Ele ficou acordado até tarde para ver a corrida do Brasil. Seríamos muito próximos se a tragédia não acontecesse.”

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