GP do Canadá me faz imaginar até onde Kubica chegaria

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GP do Canadá me faz imaginar até onde Kubica chegaria
Por: Felipe Motta
8 de jun de 2018 16:17

Editor-chefe do Motorsport.com Brasil, Felipe Motta relembra os bastidores das coberturas das provas marcantes do polonês em Montreal

Robert Kubica, BMW Sauber F1.07, crashes heavily during the race
Robert Kubica, BMW Sauber F1.08
Podium: race winner Robert Kubica, BMW Sauber F1, Nick Heidfeld, BMW Sauber F1, third place David Coulthard, Red Bull Racing
Robert Kubica, BMW Sauber F1.08, Nick Heidfeld, BMW Sauber F1.08, Fernando Alonso, Renault R28
Second place Nick Heidfeld, BMW Sauber F1.08, winner Robert Kubica, BMW Sauber F1.08, Mario Theissen, Director, BMW Motorsport and Willy Rampf, Technical Director, BMW Sauber, celebrate with their team
Robert Kubica, BMW Sauber F1.08 celebrates his maiden victory
Mario Theissen, Director, BMW Motorsport, winner Robert Kubica, BMW Sauber F1.08
Robert Kubica, BMW Sauber F1.08
Robert Kubica, BMW Sauber F1.08 passes Lewis Hamilton, McLaren Mercedes MP4/23 and the Kimi Raikkonen, Ferrari F2008
Robert Kubica, BMW Sauber F1.08, Lewis Hamilton, McLaren MP4-23 and Kimi Raikkonen, Ferrari F2008 celebrate in Parc Ferme
Lewis Hamilton, McLaren MP4-23, leads Robert Kubica, BMW Sauber F1.08, Kimi Raikkonen, Ferrari F2008, Nico Rosberg, Williams FW30, and Fernando Alonso, Renault R28
Lewis Hamilton, McLaren MP4-23, Robert Kubica, BMW Sauber F1.08, and Kimi Raikkonen, Ferrari F2008, in the pits
Robert Kubica, Williams Martini Racing

Não adianta: quando chega o GP do Canadá, sempre penso em Robert Kubica. O polonês tem grandes pontos altos na carreira, mas se pudéssemos condensar sua participação na Fórmula 1, certamente usaríamos imagens das provas de Montreal em 2007 e 2008.

Eu tenho até uma história curiosa sobre esse "combo" de corridas. Em 2007, claro, aquela panca horrível. O aspecto visual do acidente foi até pior do que os desdobramentos, mas me lembro bem da apreensão no ar. Existem acidentes que fazem o ambiente gelar até que alguém se pronuncie. Até lá, o silêncio fala em seus ouvidos "será que se machucou?", "foi feio?", ou até mesmo "será que vai sair dessa?". Não demorou para sabermos que ele estava OK, muito embora perdesse a corrida seguinte, em Indianápolis, quando foi substituído por um certo Sebastian Vettel.

Em 2008, eu, que sempre cobri F1 pela rádio Jovem Pan, havia acertado a cobertura para o Diário de São Paulo. Foi uma grande experiência, embora cansativa, porque o acordo girava em torno de pautas especiais. Não valia nada factual, como "fulano é o mais rápido no treino" ou "beltrano está confiante". Por ser um jornal popular, pautas técnicas também eram vetadas. Ou seja, eu tinha de sair da casinha.

Conforme se aproximava a corrida em Montreal, pensei em entrevistar Kubica para fazer um perfil diferente com ele, falando de outras coisas que não F1. O Diário adorava isso também. Agendamos uma entrevista para Mônaco, a prova anterior ao Canadá. Assim, eu teria um material rico para fazer algo na linha de "Um ano depois do grave acidente, Kubica fala isso ou aquilo". 

Mas 30 minutos antes da entrevista, recebo e-mail da BMW dizendo que teríamos de adiar para o sábado, após a classificação em Montreal. Nem me lembro o motivo – apenas pensei: "Merda! Montreal é a corrida pior de fuso horário.” Uma entrevista na tarde de sábado jamais poderia estar no jornal de domingo, uma vez que o fechamento já teria ocorrido.

Claro que a entrevista seria válida em algum momento, mas a chance de algo na linha de "um ano depois...." tinha ido para o espaço. Mas, como se diz no mundo do automobilismo, há sempre uma corrida após a outra.

Tarde de sábado no Canadá, Kubica na primeira fila ao lado de Lewis Hamilton, o pole. Estava super de bem com a vida, falou coisas muito legais e eu tinha uma pauta para usar em algum momento legal.

Eu mal sabia que o momento legal viria menos de 24 horas depois. Hamilton faz o favor de acertar Kimi Raikkonen nos boxes e a Ferrari faz uma patacoada em um reabastecimento. Kubica, que já estava na briga pela vitória, viu o cenário ficar mais fácil. Venceu e assumiu a ponta do Mundial. Que história! Liguei para meu editor para saber se usaríamos no dia seguinte ou abrindo a próxima etapa. Ficou como abre de quinta-feira, em Magny-Cours, França. Um longo ping-pong com o líder e sensação do campeonato. Para "ganharmos corridas", precisamos ter sorte também, não?

Conto isso para reforçar que Kubica foi um grande (!) personagem quando enquanto esteve no grid. Seu acidente no rali é um pecado, mas algo a que todos que encaram o esporte a motor estão sujeitos. Kubica causou impacto imediato, em equipe sólida, mas longe de dominante, e estava cotado como outros jovens valores estiveram na última década - Hamilton, Vettel, Ricciardo, Verstappen.

Seria campeão? Impossível dizer ou saber. Mas certamente seria protagonista. Ele era diferente! A prova disso ele já tinha dado outras vezes. Em Mônaco, prova que nossa entrevista foi adiada, ele foi segundo colocado. Foi um dos primeiros pilotos a mudar de pneus e fez isso quando trombou com um retardatário que já tinha feito a troca e era mais rápido que ele. Ao ir ao boxe, ganhou a posição de Massa. 

Dos muitos "e se..." que faço na Fórmula 1, Kubica é o maior. Embora seja impossível afirmar o que teria dado, para mim ele é um campeão.

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Sobre esta matéria

Categoria Fórmula 1
Pilotos Robert Kubica
Autor Felipe Motta
Tipo de matéria Análise