"Desempenho neste ano será fundamental para o futuro", afirma Bruno Senna

Piloto falou sobre processo de avaliação feito com a Williams e dos desafios que deve enfrentar na temporada de 2012 da Fórmula 1. Confira a entrevista

Bruno Senna aposta numa boa integração com técnicos da Williams para ter uma boa temporada

Bruno Senna não escondeu sua animação com a possibilidade de dar continuidade à sua carreira na Fórmula 1 em uma conferência de imprensa por telefone com jornalistas brasileiros. Até porque sabia que a Williams era sua última chance de permanecer na categoria, como confirmou em pergunta feita pelo TotalRace. O piloto brasileiro também revelou que, por contrato, terá de ceder o cockpit ao reserva Valteri Bottas em 15 treinos livres ao longo do ano. Confira os detalhes da conversa:

PERGUNTA: Não ficou claro no press-release da equipe: o contrato é de apenas um ano?

BRUNO SENNA: O contrato não é totalmente definido, mas inicialmente é um ano de contrato. Vai ser minha primeira chance de verdade na Fórmula 1, em que competirei com os outros de igual para igual tendo participado de toda a pré-temporada. Isto fará toda a diferença em termos de consistência e terei a chance de mostrar meu potencial de verdade. Será um ano desafiador, a equipe vem de um ano difícil no ano passado, mas todos estão motivados. Estou trabalhando desde o mês de dezembro para que eu me integrasse na equipe da melhor maneira possível. Certamente, meu desempenho neste ano será fundamental para meu futuro na Fórmula 1.

PERGUNTA: Também no press-release, Frank Williams falou que você passou por um processo de avaliação. Como foi isso?

BRUNO SENNA: Fiz testes de análise de conhecimento técnico, pareciam provas de escola. Fiz trabalho de adaptação ao simulador deles também, além de testes físicos. Na pista, fiz alguns dias com um técnico de pilotagem chamado Rob Wilson, muito respeitado no meio do automobilismo, para fazer um pouco mais de análise. Eles tiveram muitas opiniões de dentro e de fora da equipe para avaliar meu potencial.

PERGUNTA: Quanto o time anunciou a renovação de Pastor Maldonado, disseram também que o piloto reserva Valteri Bottas andaria em 15 treinos livres ao longo do ano. Já foi definido no lugar de quem ele anda?

BRUNO SENNA: Ele vai andar no meu carro nas sextas-feiras em que ele for andar. A exceção será em corridas como Mônaco, pistas em que a perda seria muito grande se ele fosse andar. É difícil de saber o quanto isso será prejudicial para mim. São condições que tive de aceitar por chegar um pouco atrasado, mas vou tentar minimizar a perda desse trabalho que é para integrar ele o máximo possível no trabalho da equipe.

PERGUNTA: Há uma associação inevitável entre o nome Senna e a equipe Williams. Como você e sua família estão lidando com isso?

BRUNO SENNA: Para dar um exemplo, todos na minha família estão muito contentes. Assim que houve a confirmação que eu correria pela Williams, liguei para minha mãe, para meus avós e eles ficaram muito felizes. Eles sabem que a batalha para ter uma chance aqui foi bem grande e ficaram muito satisfeitos. Não existe nenhum tipo de ressentimento ou de más memórias. A gente sabe que as coisas acontecem por algum motivo.

PERGUNTA: Muita gente tem a percepção que a dupla da Williams é inexperiente. Como responder à estas pessoas?

BRUNO SENNA: É um risco que a equipe está assumindo ao assinar com dois pilotos com relativa experiência, mas eles pesaram todos os lados da situação para ver o que seria possível obter de resultados. Eles acreditam que a gente consiga junto com a equipe, que é feita de engenheiros experientes, a desenvolver o carro na direção correta. Há uma confiança na nossa capacidade técnica, algo que eles deixaram muito claro o tempo inteiro, assim como o fato de que o desafio de ser piloto da equipe neste ano vai ser grande e a pressão será alta. É algo que aceito com felicidade pela confiança que estão depositando em mim.

PERGUNTA: Dá para imaginar que a Williams vai pontuar com regularidade nesse ano depois da temporada difícil de 2011?

BRUNO SENNA: É difícil de dizer como vai ser até começarem os testes. Sempre podem haver surpresas na hora de ver onde estão os outros carros. Mas nossos engenheiros estão correndo atrás de certos números nas simulações que eles acreditam ser os números corretos para estarmos nessa posição de pontuar regularmente. A equipe teve mudanças grandes na parte técnica e eles acreditam que os esforças que estão sendo feitos não só no carro mas também em toda a parte estrutural da equipe serão suficientes para estarem entre os dez primeiros. Eles sabem que não é fácil pular de onde estavam no ano passado para esse objetivo, mas é uma equipe que tem experiência em ter um carro competitivo e o ano passado foi um pouco anormal na história deles em termos de resultados.

PERGUNTA: Você sempre viveu na F-1 diante desta luta por patrocinadores e comentou que a dificuldade era muito grande. Como foi neste caso?
 
BRUNO SENNA: A gente esteve trabalhando com as empresas desde o começo das negociações com a Lotus-Renault, no ano passado. Isso nos ajudou no começo da negociação com a Williams porque já tínhamos um caminho traçado. Tivemos muitas reuniões e a realidade é que não é fácil conseguir patrocínio para correr pois os orçamentos na F-1 são altos. Mas a gente tem ótimos patrocinadores que conseguiram junto com a equipe se ajustar. Estamos na F-1 juntos, e os patrocinadores têm uma grande participação neste caminho que estou começando neste ano.
 
PERGUNTA: Qual a importância do Eike Batista?
 
BRUNO SENNA: O Eike é um dos patrocinadores que estamos trazendo para a equipe este ano. Óbvio que ele tem muita influência. A OGX é uma empresa que todos têm interesse, e com certeza não fomos os únicos a falar com ele a respeito disso. Ele é uma peça fundamental, mas com certeza os outros patrocinadores também são. Todo mundo é uma peça fundamental nessa aventura e estou contente deles me darem essa chance.
 
PERGUNTA: Sobre o teste que você comentou, todos os outros pilotos fizeram? Foi uma espécie de concurso?
 
BRUNO SENNA: A avaliação que eles fizeram em mim foi pelo fato deles terem alguma dificuldade para avaliar o meu potencial. Minha carreira foi muito distinta da dos outros pilotos. Tive poucos anos antes da F-1, e mesmo na F-1 competi em condições muito diferentes. Para eles considerarem em me dar uma chance eles me colocaram para fazer certos testes, que não são normais para serem feitos em pilotos que estão sendo considerados. Eles precisavam me conhecer, conhecer a minha capacidade de adaptação. Fiz testes de conhecimentos técnicos, testes de pistas, conversas com engenheiros... Eles queriam me conhecer.
 
PERGUNTA: Você já conversou com Rubens Barrichello?
 
BRUNO SENNA: Não conversei com ele ainda. O anúncio foi feito só agora e não tive chance de falar com ele. A gente tem uma relação ótima, desde que nos conhecemos há alguns anos. Todo mundo sabe que no esporte às vezes um entra e o outro tem de sair. Vou tentar falar com ele ainda hoje. Tenho certeza que ele sabe melhor do que eu como as coisas funcionam na F-1 e tenho certeza que as coisas continuam boas como antes.
 
PERGUNTA: Você disse no ano passado que se não ganhasse chance na F-1 poderia competir em outras categorias, como a Nascar. Caso não desse certo, você mudaria de rumo? Essa negociação com a Williams era decisiva?
 
BRUNO SENNA: Era sim. A gente estava olhando em outras categorias, outras oportunidades. O tempo não para de andar e não fico mais jovem. Se fosse para ser terceiro piloto em alguma equipe, teria de ser em uma equipe muito boa, em alguma oportunidade muito boa. Felizmente, desde que comecei a competir na Lotus-Renault as coisas mudaram um pouquinho. Pude me focar em continuar na F-1 e, apesar de tardia, a chance da Williams era uma grande oportunidade. Agora é a hora de realmente começar a carreira na F-1.
 
PERGUNTA: Você guiará para uma equipe que tem simulador. Ano passado, você não dispunha de um na Lotus. Qual a importância de contar com o simulador em uma F-1 sem testes?
 
BRUNO SENNA: Com certeza, o simulador ajuda você a chegar na pista com uma noção um pouco mais próxima do que o carro pode fazer. Claro que temos muito trabalho a fazer para melhorar a relação do simulador com as pistas. Mas é uma vantagem grande, principalmente neste ano, quando perderei a maioria das primeiras sessões de treinos. Então, preciso chegar na segunda sessão quente. O melhor de tudo é trabalhar com seu engenheiro no simulador para poder criar soluções e entender o que se pode ou não fazer no carro.
 
PERGUNTA: O time se ressentiu de uma liderança no ano passado, mais na direção do que na pilotagem em si. Você está pronto para liderar uma equipe, caso consiga?
 
BRUNO SENNA: Acho que a questão da liderança na equipe vai depender de performance e de perfil de liderança. Sei que teremos um ano desafiador, pois são dois pilotos novos que terão de carregar a equipe em termos de que direção tomar. A questão é você ter uma boa relação com os engenheiros e a equipe inteira trocar informações para conduzir o desenvolvimento no caminho certo. O que vai determinar quem tem mais autoridade, mais palavra dentro da equipe é a performance na pista. Se eu tiver essa oportunidade, vou fazer o melhor possível.
 
PERGUNTA: Quais os seus próximos passos na agenda da Williams?
 
BRUNO SENNA: Por enquanto a agenda está um pouco aberta. Estamos resolvendo alguns detalhes. Ontem e hoje tivemos reuniões. Não sei se voltarei ao Brasil antes do começo dos testes. Existe uma janela para eu ir ao Brasil, mas não sei se conseguirei neste momento. A agenda, por enquanto, é cuidar da preparação física e trabalhar com os engenheiros.

(Colaboraram Felipe Motta e Luis Fernando Ramos)

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