"Foi por causa de Senna que quis ser piloto", revela Hamilton

Eles tinham de 6 a 14 anos quando o brasileiro morreu, mas campeões do grid atual garantem que ele segue como referência

Eles eram, no máximo, adolescentes quando Ayrton Senna morreu, há 20 anos, mas os campeões mundiais do atual grid da Fórmula 1 não escondem a reverência ao tricampeão. O mais identificado com o brasileiro, sem dúvida, é Lewis Hamilton. Ligado à McLaren desde os tempos de kart e dono de um estilo agressivo, o piloto gosta de ser comparado a Senna e, inclusive, já homenageou-o na pintura de seu capacete no GP do Brasil de 2011.

Na verdade, o capacete amarelo veio da necessidade do pai, Anthony, enxergá-lo com mais facilidade nas pistas de kart, mas, com o passar dos anos, acabou virando uma das referências a Senna na carreira de Hamilton. “Sempre comento que, quando eu era criança, tinha todos os livros, vídeos dele. Ele era meu ídolo, mesmo antes de eu ter começado a correr. Ele meio que me inspirou a me tornar piloto”, revelou ao TotalRace.

[publicidade] “No dia de seu falecimento, era muito difícil para mim mostrar minhas emoções para minha família, então fui para um lugar afastado e foi muito duro por vários dias. Meu herói tinha morrido”, contou o piloto, na época com nove anos.

“Ele é uma lenda incrível; dá para aprender coisas sobre a maneira como ele abordava as corridas e como ele pilotava. Você gostaria de pensar que um dia ele poderia te reconhecer como alguém que consegue pilotar de um jeito semelhante a ele.”

Quem tem lembranças mais vivas de Senna, contudo, é Jenson Button. Afinal, o inglês – que sempre se disse mais fã de Alain Prost do que do brasileiro – tinha 14 anos na época. “Ainda era muito jovem mas estava correndo na Itália naquele final de semana, no kart. Tinha acabado de começar a correr lá. Foi um enorme choque. Basicamente, a reunião do kart terminou assim que ouvimos as notícias de Imola.”

O campeão de 2009, contudo, reconhece que o acidente do GP da San Marino trouxe um legado importante até hoje. “Foi um dia horrível para todos, mas às vezes é preciso que algo assim ocorra – uma tragédia terrível – para mudar o esporte de verdade para melhor em termos de segurança para nós. Aquilo teve um grande impacto.”

Um ano mais velho que Button, Fernando Alonso não pôde ver corridas ao vivo de Senna na TV. Isso porque, na Espanha, a Fórmula 1 só começou a ser transmitida justamente devido ao sucesso do asturiano, em 2003. Restava ao então piloto de kart acompanhar o noticiário.

“Ele era minha inspiração. Lembro de algumas corridas que podíamos ver no noticiário na Espanha, porque naquela época não tínhamos transmissão das corridas. Lembro que tinha fotos dele no meu caderno da escola e também no meu quarto. Eu tinha um grande pôster dele e até meu primeiro kart tinha as cores da McLaren dele porque meu pai também gostava. Foi um momento muito triste.”

Mesmo sendo o ‘caçula’ entre os campeões mundiais, Sebastian Vettel reconhece que, não fosse Senna, talvez não corresse na Fórmula 1. Isso porque seu grande incentivador na carreira, o pai, começou a se interessar pelo esporte sob influência do brasileiro. Inclusive, era ao lado dele que o alemão de 26 anos estava naquele domingo de 1º de maio de 1994. “Em termos de lembranças do Senna é difícil, porque eu tinha sete anos quando ele morreu. Mas a morte dele é aquele tipo de evento em que você sabe muito bem onde estava e o que fez. Lembro de estar assistindo à TV com meu pai e de ter compreendido, pela reação dele, que tinha sido muito sério”, contou ao TotalRace.

Fã do compatriota Schumacher desde os primeiros anos de carreira, o tetracampeão revelou que apenas nos últimos anos se deu conta da grandeza de Senna para o esporte. “Foi uma grande perda para a Fórmula 1, mas acho que só agora eu consigo dimensionar isso porque hoje trabalho com gente que trabalhou com ele. Ele é uma grande inspiração. Foi por causa dele que meu pai começou a acompanhar a Fórmula 1. Pouco depois, tivemos o primeiro alemão a ter bastante sucesso, Michael Schumacher, e obviamente era ele em quem eu me inspirava, simplesmente porque ele era alemão e eu o conheci bem cedo, nos karts. Foi só depois que eu entendi a dimensão de Ayrton, não só como piloto, mas também como pessoa. É uma pena que ele tenha morrido tão jovem e não esteja por aqui.”
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