Force India critica Grupo de Estratégia da F1: "injusto"

Bob Fernley, vice diretor da Force India, não economizou nas críticas ao Grupo de Estratégia da Fórmula 1, que classificou como "injusto" e que "não cumpre o propósito"; reclamações vieram após recusa de proposta feita por time indiano

A Force India não está feliz com o Grupo de Estratégia da Fórmula 1. Após ver a proposta de permitir aos times foco maior nos trabalhos de CFD (Computational fluid dynamics, fluidodinâmica computacional, em português) ser recusada, o time indiano não poupou críticas ao Grupo de Estratégia. 

O desenvolvimento aerodinâmico na F1 é monitorado de perto pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo), com uma estrutura balanceada entre horas de túnel de vento e desenvolvimento no CFD.

A proposta da Force India era criar um programa paralelo para as equipes que quisessem aumentar as horas de CFD, tendo em vista que a tecnologia está cada vez mais avançada, reduzindo as horas de túnel de vento.

Entretanto, a proposta foi rejeitada pelo Grupo de Estratégia, com Ferrari, Mercedes, Red Bull, McLaren e Williams votando contra - apenas a Force India votou a favor.

Bob Fernley, vice diretor do time indiano, vê o resultado como um exemplo de que a atual estrutura governamental pesa a favor das equipes grandes, que vetam as propostas.

"Creio que isso mostra as falhas do Grupo de Estratégia", disse Fernley ao Motorsport.com. "Um programa que foi proposto para beneficiar a F1 como um todo - e o progresso na F1 que nos levou a ser um expoente de tecnologia - foi rejeitado por puro egoísmo".

"Esse egoísmo mostra o quão ruim é o conceito do Grupo de Estratégia, confirma o que eu sempre disse sobre o grupo, que ele não cumpre o propósito para o qual foi criado. Estamos nele, mas apenas para testemunhar o quanto ele é injusto", afirmou.

"Nossa proposta era bastante detalhada e acreditamos que tinha mérito. O conceito seria permitir o avanço via CFD se os times quisessem e seria algo permitido a todos", ressaltou.

"A única razão pela qual os times votaram contra é para proteger a vantagem que eles possuem hoje. É apenas um impedimento para o progresso das coisas", acrescentou.

Oportunidade perdida

Fernley tem certeza de que a proposta da Force India teria sido boa para o esporte e permitiria aos times reduzir custos.

"Sabemos que a tecnologia CFD não apresenta a mesma eficiência que o túnel de vento, mas se você quer o progresso dessa tecnologia para que ela seja equivalente aos túneis de vento, você precisa permitir o uso dela", disse.

"Para times que desejam assumir tal risco - especialmente aqueles que não possuem túnel de vento próprio - esse poderia ser um caminho a seguir. O que tentamos fazer foi dar a oportunidade de seguir em frente com a simulação tecnológica, que é mais eficiente em termos de custo e será mais relevante que os túneis de vento no futuro", afirmou.

"Você precisa lembrar que os times de fábrica podem aperfeiçoar os túneis de vento, eles gastam milhões nisso. Então eles usam essa eficiência para ganhar mais tempo de CFD na fórmula atual. Fazendo isso, eles têm uma vantagem", acrescentou.

Outra proposta rejeitada pelo Grupo de Estratégia foi a da Manor - que queria permitir aos times que usam túneis de vento na escala 50% mais tempo de trabalho em relação aos que usam túneis na escala 60% que se tornou a norma. Somente a Force India apoiou a ideia.

"O que eles disseram foi que se você usa um túnel 50%, você tem uma desvantagem em termos de fidelidade, então você não pode ter 10% de tempo a mais? Achei uma proposta razoável, ajudaria equipes como a Manor a avançar", observou.

"Mas um time como a Manor não tem voz, eles apresentam ideias e cinco times votam contra, sem razão a não ser proteger os próprios interesses. Queremos que o esporte seja competitivo. Às vezes você precisa permitir um pouco de flexibilidade, não acho que tenham feito uma proposta absurda", completou.

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