Massa tem última chance de fugir de recorde negativo de pódios

Se não chegar entre os três primeiros no GP Brasil, brasileiro será o primeiro ferrarista desde 1981 a disputar toda a temporada e não conseguir um pódio sequer

Felipe Massa tem no GP do Brasil a derradeira chance de se livrar de um recorde negativo de 30 anos: ser o primeiro piloto a fazer uma temporada completa pela Ferrari desde 1981 e terminar o ano sem um pódio sequer. O último a não levar nenhum troféu para casa foi o francês Didier Pironi que, naquela ocasião, viu o companheiro Gilles Villeneuve vencer em Mônaco e na Espanha.

De lá para cá, quem chegou mais perto de bater a marca foi Ivan Capelli, em 1992. O italiano disputou 14 das 16 provas do ano e teve como melhor resultado um quinto lugar no GP Brasil. Em outras três oportunidades, um piloto Ferrari subiu ao pódio apenas uma vez durante o ano todo: Michele Alboreto em 1986, Jean Alesi em 1994, Eddie Irvine em 1996. O desempenho do irlandês em relação ao então companheiro Michael Schumacher, inclusive, é o mais próximo da atual situação da dupla ferrarista, pois o alemão conquistou oito pódios no ano (Alonso tem dez até aqui).

De fato, Massa enfrenta sua pior temporada na Ferrari. Mesmo em 2009, quando perdeu oito provas devido ao acidente no treino classificatório para o GP da Hungria e a Ferrari sofria com um projeto ruim – a equipe foi quarta colocada no Mundial de Construtores – o brasileiro ocupava a mesma colocação em que está hoje na tabela de pilotos e acabara de subir ao pódio na etapa anterior, na Alemanha.

Em 2006, somou sete pódios contra 12 de Schumacher. No ano seguinte, já dividindo a equipe com Kimi Raikkoen, 10 dos 22 pódios da Ferrari no ano. Quando disputou o título até a última prova, em 2008, foi responsável por 10 dos 19 troféus que a Scuderia acumulou no ano com seus pilotos.

Sexto no Mundial de Pilotos virou posição cativa do piloto do início de 2009 para cá. No entanto, para conquistar a mesma colocação no Mundial do ano passado, Massa subiu ao pódio em cinco oportunidades, sendo três terceiros lugares e dois segundos, no GPs do Bahrein e da Alemanha. Sua pontuação também piorou – dos 143 pontos antes da última etapa de 2010 para os 108 deste ano.

Em 2011, inclusive, o brasileiro chegou entre dos seis primeiros em tantas oportunidades quanto seu companheiro Fernando Alonso visitou o pódio: dez, sendo cinco quintos lugares e cinco sextos.

Esses números refletem a porcentagem dos pontos da Scuderia conquistados por Massa: em 2011, só 30,5% foram obtidos pelo brasileiro, resultado inferior às demais temporadas em Maranello (39.8% em 2006, 46% em 2007, 56.3% em 2008, 68.75% em 2009 - até o acidente - e 36.3% ano passado).

Alonso credita o mau rendimento do companheiro aos pneus Pirelli, ao comportamento diferente do carro com o difusor soprado e uma pitada de azar.

“Espero que consiga ir ao pódio e não tenha esse ‘recorde’ negativo. Tenho certeza de que gostaria muito de conseguir isso no Brasil e tomara que consiga. Certamente a diferença foi a sorte em corridas nas quais o carro ia bem, como em Silverstone, quando teve um dano no carro e depois se tocou com Hamilton na última curva."

“Em outras corridas teve a ver com os pneus. Os Pirelli e a aerodinâmica com os difusores soprados fazem com que a pilotagem mude e talvez ele tenha sofrido um pouco mais, porque na última parte do ano ele está muito rápido. Agora mudou alguma coisa que fez com que ele se sentisse mais cômodo com o carro.”

O espanhol comparou a situação com a de Mark Webber e Sebastian Vettel. “Houve uma série de circunstâncias que me favoreceram e prejudicaram-no, assim como na Red Bull, porque um piloto ter 11 vitórias e o outro nenhuma também é difícil explicar.”

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