Sette Câmara vê como “estranho” domínio de Leclerc na F2

Companheiro do monegasco no kart, brasileiro crê que Prema esteja muito à frente das demais equipes do grid

A temporada de 2017 da Fórmula 2 vem sendo marcada por um domínio avassalador do monegasco Charles Leclerc. Campeão da GP3 no último ano e membro da academia da Ferrari, o piloto iniciou a temporada com uma velocidade impressionante, registrando a pole position nas primeiras oito etapas - embora tenha sido desclassificado após a classificação em Hungaroring (sétima prova).

Mesmo tendo também uma vitória retirada pelos comissários (na corrida 1 na Bélgica), o piloto venceu outras cinco provas, e, com outros dois pódios, ele atualmente lidera o campeonato com 59 pontos de frente para o resto.

Para Sérgio Sette Câmara, piloto brasileiro na F2, o domínio do monegasco não se dá só por qualidade em sua pilotagem. O mineiro acredita que a Prema dê o melhor carro de sua equipe e da categoria a Leclerc.

“Tenho uma opinião formada sobre isso”, iniciou em entrevista exclusiva ao Motorsport.com.

“Cada um tem a sua opinião, mas eu fui companheiro do Charles no kart e sei o quanto ele é bom. Andei com ele de Fórmula 3 em times diferentes e com o mesmo motor (Volkswagen). E muitas vezes ele era o mais rápido de nós, e eu tinha os dados dele para comparar. Para você ter certeza de que um piloto está melhor, você tem que ter a telemetria dele.”

“Vi que ele é um excelente piloto, muito bom e que se adapta bem às circunstâncias de pista. Mas há muito apoio político por trás, o que somado a um piloto bom, é a receita perfeita.”

“O carro da Prema faz uma grande diferença. Claro que ver o (Antonio) Fuoco (companheiro de equipe de Leclerc na Prema e nono no campeonato) não tão bem é um fator. Mas, para ser sincero, acho estranho.”

“Mas ele tem um diferencial, e ninguém ganha no automobilismo com carro ruim. Mas aqui o carro é muito bom, bem melhor que o normal. Acho que o domínio é um pouco demais. Ele é bom, mas temos outros muito bons que não fazem o que ele faz. Mas ele é uma ótima pessoa, não é metido nem nada. Torço para que chegue à Fórmula 1.”

Experiência com a Red Bull

Sette Câmara fez parte do programa de jovens pilotos da Red Bull em 2016 e chegou a até mesmo fazer um teste com a Toro Rosso em Silverstone. No entanto, com uma temporada abaixo da expectativa da Fórmula 3 Europeia, o piloto deixou o time da marca.

O mineiro de 19 anos diz que não sentiu pressão além do normal durante a temporada, e crê que seu maior problema foi outro.

“Este ano está sendo diferente. Sou meio bobão às vezes, não noto muito isso, mas tem uma diferença, é claro”, afirmou.

“Voltou a ser só o meu grupo: O meu pai, o meu manager, meu assessor e todo o meu pessoal lá de BH e tal. É legal, mais leve."

"Mas não acho que o ano da Red Bull foi ruim por conta da Red Bull em si, foi mais porque eu paguei o preço por ter ido do kart para a Fórmula 3 – que foi justamente o que me deu essa oportunidade.”

“Não era experiente, e era só o meu segundo ano nos carros. Tudo o que eu fazia acabava desvalorizado, e isso me pressionava. Não foi a Red Bull, foi a circunstância. Por isso que não noto muita diferença, apesar de que foi uma grande experiência.”

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Categorias FIA F2
Pilotos Sergio Camara
Tipo de artigo Entrevista