Mulheres mostram desânimo com cargo de Jorda na FIA

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Mulheres mostram desânimo com cargo de Jorda na FIA
Por: Marcus Simmons
13 de dez de 2017 15:06

Mulheres de destaque nas pistas afirmaram que a nomeação de Carmen Jorda em um cargo na Comissão de Mulheres no Automobilismo da FIA é um “desânimo incrível” e “um passo para trás”.

Jorda recentemente foi alvo de controvérsia com comentários de que as mulheres deveriam disputar seu próprio campeonato ao estilo da F1, já que, em sua opinião, elas são incapazes de competir de igual para igual contra homens.

A nomeação de Jorda – que tem três temporadas de GP3 no currículo, mas nunca conseguiu se classificar entre os 20 melhores – vem em meio à informações de que uma empresa com sede em Londres está se preparando para criar um campeonato exclusivamente para mulheres em 2019.

Pippa Mann, da Indy, Jamie Chadwick, do GT4 Britânico, e Tatiana Calderón, da GP3, expressaram suas preocupações com a decisão que favoreceu Jorda.

Mann apontou para o fato de que Christina Nielsen, campeã do IMSA GTD, Katherine Legge, que conquistou vitórias também no IMSA GTD, e Calderón, que marcou pódio na Fórmula V8 3.5, além de sua própria volta em 230 mph em Indianápolis neste ano como feitos de destaque. 

Pippa Mann, Dale Coyne Racing Honda
Pippa Mann, Dale Coyne Racing Honda

Photo by: Phillip Abbott / LAT Images

“Contra a tendência do aumento de talento feminino, é extremamente decepcionante saber que uma piloto sem qualquer resultado notável em nenhuma categoria que já competiu, e que acredita que nós, mulheres, podemos competir, tenha sido nomeada à Comissão de Mulheres no Automobilismo da FIA”, disse, ao Motorsport.com.

“Para mim, pessoalmente, a nomeação de alguém com essas crenças para um comitê que deve lutar pela causa das mulheres é incrivelmente desanimadora e representa um verdadeiro passo para trás da FIA.”

Nomeação de Jorda irá unir representantes femininas

Calderón acredita que a novidade envolvendo Jorda irá unir as outras pilotos que querem oportunidades iguais.

“Foi uma surpresa para todos, especialmente porque a maioria das mulheres que estão correndo em grandes categorias no momento discordam de seu ponto de vista”, disse Calderón ao Motorsport.com.

“Definitivamente podemos competir no nível mais alto e não há absolutamente necessidade alguma para uma categoria feminina.”

“O que precisamos é promover a participação de mulheres em todas as áreas do automobilismo, a começar pelo kart – porque precisamos de mais garotas começando no kart para poder ter mais chances de chegar ao topo.”

“É bem difícil, independentemente de seu gênero, mas, quando há 90% de meninos e 10% de meninas, as chances são muito pequenas.”

“Eu discordo de sua visão e aquilo que ela quer defender, mas esse anúncio só une o resto da comunidade das pilotos mulheres e engenheiras. Vamos lutar para ser as melhores das melhores, não apenas entre as mulheres.”

Tatiana Calderon, DAMS
Tatiana Calderon, DAMS

Photo by: GP3 Series Media Service

Mann também se disse preocupada com a posição de Jorda à comissão, que tem a antiga estrela do WRC Michele Mouton como presidente.

“O que mais preocupa é que muitos podem pensar que sua nomeação representa a crença da FIA quanto a atletas mulheres que competem no automobilismo”, disse.

“Eu tenho o mais alto respeito por Michele Mouton, tanto em termos de feitos no rally quanto por sua visão. Não consigo imaginar o tipo de pressão que deve ter havido sobre ela para que ela permitisse tal nomeação.”

Mouton: valores da comissão da FIA não mudam

Quando contatada pelo Motorsport.com, Michele Mouton se recusou a comentar diretamente sobre a nomeação de Jorda, mas disse que a comissão da FIA se mantém totalmente comprometida com a participação de mulheres no automobilismo.

“As metas e os valores da Comissão de Mulheres no Automobilismo não mudaram desde sua criação, em 2009, e vamos continuar fortemente a encorajar, apoiar e promover a participação total de mulheres em todos os aspectos do automobilismo”, disse a vice-campeã do WRC em 1982.

“A riqueza da comissão vem de seus 30 membros, que trazem sua experiência e dividem seus pontos de vista.”

“Desde 2018, nosso programa de jovens mulheres europeias fará uma conexão com o D2BD [programa Dare To Be Different], então iremos  ser promovidos por Susie [Wolff], que é uma de nossas embaixadoras.”

“Nós também vamos trabalhar em direção a uma Academia de Pilotos Mulheres na FIA, então teremos uma boa gama de projetos para cobrir garotas e mulheres, desde os 8 aos 20 anos. A FIA mostra que está apoiando totalmente as mulheres no automobilismo.”

 Susie Wolff, Claire Williams, Deputy Team Principal, Williams, Marta Garcia, Renault Sport F1 Team Sport Academy, Michelle Mouton, at a Women in Motorsport Press Conference
Susie Wolff, Claire Williams, Deputy Team Principal, Williams, Marta Garcia, Renault Sport F1 Team Sport Academy, Michelle Mouton, at a Women in Motorsport Press Conference

Photo by: Andrew Hone / LAT Images

Wolff: mulhers podem competir de igual para igual

Ex-piloto de testes da Williams e pioneira do programa Dare To Be Different, Susie Wolff enfatizou que o automobilismo é uma atividade em que homens e mulheres podem ter chances de igual para igual.

“O automobilismo, ao lado do hipismo e vela, é um dos três esportes em que mulheres e homens competem juntos”, disse Wolff ao Motorsport.com. “Em cada um deles, há uma grande parcela de equipamento ou animais envolvida – e isso não se limita ao nível de força ou massa muscular.”

“Se você quiser ver mais mulheres bem sucedidas no automobilismo, cabe simplesmente aumentar o número de talentos – inspirar mais garotas e mulheres a entrar no esporte e oferecer apoio para que os melhores cheguem ao topo.”

“O Dare To Be Different trabalha de perto com a Comissão de Mulheres no Automobilismo da FIA. Michele e eu compartilhamos as mesmas metas e estamos comprometidas em criar uma mudança em longo prazo, da forma correta.”

Chadwick, que, neste ano, se mudou para a BRDC Fórmula 3 Inglesa, disse que não tem nada contra Jorda, mas que seria “uma pena” se ela promovesse a competição separada para mulheres em conjunto à FIA.

“Eu acho que irá somente baixar o patamar. Sei que, no meu melhor dia, eu posso competir igualmente com homens”, disse Chadwick ao Motorsport.com.

“Se as mulheres certas chegarem com dinheiro e talento, elas podem chegar à F1.”

Jamie Chadwick, Double R Racing
Jamie Chadwick, Double R Racing

Photo by: JEP / LAT Images

Reportagem adicional de Edd Straw, Jamie Klein e Stefan Mackley

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