Farfus: Grid da GTE Pro é o mais difícil de Le Mans

Em entrevista exclusiva ao Motorsport.com Brasil, piloto fala sobre as expectativas da corrida de 24 horas mais importante do mundo e também sobre o futuro na carreira

Augusto Farfus será um dos sete brasileiros a competir nas 24 Horas de Le Mans que acontece no próximo fim de semana. Será a terceira participação do piloto paranaense que compete regularmente no DTM. Ele competiu nas edições de 2010 e 2011, tendo como melhor resultado a sexta posição na classe GTE Pro em sua estreia.

A edição de 2018 será especial, já que marca o retorno tanto de Farfus como da BMW à mítica prova, já que competira pela última vez em 2011.

Falando com exclusividade ao Motorsport.com Brasil, Farfus comentou sobre suas expectativas sobre a corrida do fim de semana.

“São quase dois anos desde o projeto inicial, com testes de quilometragem, noites sem dormir, muitos dias de treinos, muitas reuniões em Munique, etc. O que chega aqui a Le Mans é um projeto que vem sendo trabalhado há muito tempo e a expectativa é grande.” 

“Primeiro por ser Le Mans, por ser o retorno da BMW, por ser uma equipe nova e, mais do que tudo, é o lançamento mundial na sexta-feira da nova Serie 8, então será a primeira vez na história da BMW que o carro de corrida é apresentado antes de um modelo de rua. Então tem uma série de fatores que acabam fazendo a prova se tornar extremamente especial, sem dúvida a pressão é grande e o nosso objetivo é chegar ao fim da prova e tentar lutar pela vitória.”

Apesar do instinto natural da maioria dos pilotos ser de brigar sempre pela vitória, Farfus tem os pés no chão quanto às suas chances.

“Temos que ser realistas. O grid da GTE Pro é o mais duro de Le Mans. São 17 carros, todos com pilotos de fábrica e de altíssimo nível, o que você não encontra em outras categorias. Na LMP2 tem sempre um piloto silver e um piloto amador, na LMP1 também tem carros com pilotos pagantes e um grid que não é bem nivelado com carros muito diferentes e a GT Am tem sempre os amadores. Nosso alvo é vencer a prova, mas somos realistas que não será uma missão fácil.”

“Le Mans é um circuito relativamente simples no papel, mas por ser uma corrida de 24 horas, poucos acabam se ligando ao fato de que como tem muitas retas, a quilometragem é maior do que em Daytona, Nurburgring ou Spa. Você acaba colocando o equipamento em estresse contínuo por uma distância muito grande, então chegar ao final já é uma vitória, mas estamos nos preparando para ganhar.”

Futuro no endurance?

No DTM desde 2012, Farfus sempre pôde participar de projetos com a BMW em outras categorias, além de algumas competir algumas vezes na Stock Car brasileira. Com a incerteza sobre a série alemã e se aprofundando no mundial de endurance, as competições de longa duração seriam seu novo habitat nos próximos anos?

“Minha carreira sempre foi comandada pelos programas da BMW. Tenho a honra de participar dos principais projetos, exceto a Fórmula E, desde o início. Todos os carros GT desde 2007 eu participei do desenvolvimento, corri com eles, foi uma carreira mais voltada à BMW.” 

“O DTM tem um futuro que atualmente é incerto, mas que vai crescer porque com o híbrido, ele vai complementar o que a Fórmula E não dá, que é a parte do motor a combustão, que é a base do automobilismo. Então essa nova categoria nascendo, muitos construtores vão querer entrar. Onde vai ser o meu futuro? Difícil de dizer, mas acima de tudo, espero poder dar sequência com a BMW.”

A semana em Le Mans

Corrida de 24 horas não é novidade para Farfus, tendo disputado as versões de Daytona, Nurburgring e Spa. Mas para o piloto paranaense, a prova francesa tem ingredientes que podem fazê-la inesquecível por outros motivos, quando o assunto é resistência física.

“A semana de Le Mans é muito desgastante. Cheguei aqui no domingo e vou embora na outra segunda-feira. Quem está por fora e vê os carros correndo no sábado e domingo acaba pensando que a corrida é só nesses dois dias.”

“Tem toda aquela programação em que os carros são apresentados, a verificação técnica, as reuniões depois dos treinos para tomar algumas decisões, na quinta-feira tem a tomada de tempo, na sexta-feira tem todo um dia de mídia e marketing e sábado tem a corrida.”

“Le Mans é uma prova muito desgastante, não só pelas 24 horas, mas pela semana inteira que é muito longa. A preparação em si para Le Mans não é nada de diferente de outra prova de 24 horas, o que se torna fundamental para Le Mans é saber aproveitar os poucos momentos de descanso para que você possa economizar energia e chegar bem no domingo.”

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Categorias Le Mans
Evento 24 Horas de Le Mans
Pista Circuit de la Sarthe
Pilotos Augusto Farfus
Tipo de artigo Entrevista