Chefe na Moto3, pai de Simoncelli revela: “ainda é difícil”

Paolo Simoncelli fala de experiência positiva após primeiro ano e diz querer chegar à MotoGP com sua equipe

Certamente uma das perdas mais sentidas na história do motociclismo, a morte de Marco Simoncelli chocou todos os amantes os amantes da MotoGP ao redor do mundo. Destemido e agressivo em sua tocada, o campeão das 250cc de 2008 rapidamente ganhou popularidade com os fãs. Não só por suas qualidades dentro da pista, mas pela presença marcante fora dela.

Todos ainda se lembram muito bem do cabelo comprido e bagunçado do italiano, que aos 23 anos de idade encontrou o seu destino durante o GP da Malásia de 2011, ao cair e ser seguidamente atropelado pelo norte-americano Colin Edwards e seu grande amigo e compatriota Valentino Rossi.

Pai de Marco, Paolo viveu todo o drama de perto no circuito de Sepang naquele domingo. Porém, ao contrário do que mandaria a ordem natural das coisas, em memória do filho, ele foi inspirado a retornar ao paddock da MotoGP como chefe de equipe.

Após iniciar no campeonato italiano em 2013, ele chegou à Moto3 no mundial nesta temporada com o italiano Tony Arbolino e o japonês Tatsuki Suzuki como pilotos.

“Tem sido uma experiência positiva até agora”, disse Paolo em entrevista ao Motorsport.com.

“Pode ser estressante, mas isso me mantém ocupado, o que é bom. Eu tenho menos tempo para pensar e isso me ajuda. Mas não é só a mim que ajuda: minha família vive melhor.”

Para Paolo o objetivo é um só: “levar meu time à MotoGP”.

Mas de onde veio a ideia de retornar a um local rodeado de sensações ruins? Simoncelli revela que foi convencido por Aldo Drudi, designer de capacetes italiano (responsável pelos famosos desenhos de Valentino Rossi) e seu amigo pessoal, a fazer isso.

“Tudo começou com Aldo Drudi. Ele foi quem teve primeiro a ideia de criar uma equipe com o nome do Marco”, revelou Paolo.

“Aceitei o desafio e posso dizer que foi a escolha certa. Este projeto me mantém ocupado e isso me ajuda a viver melhor. Tenho o apoio da minha família, o que conta muito.”

“Minha esposa e eu não temos arrependimentos, sabemos que fizemos tudo o que estava em nosso alcance para deixar Marco feliz e deixá-lo seguir seus sonhos.”

“Foi difícil e ainda é para nós. Em alguns circuitos, é mais difícil que em outros. As lembranças vêm à minha mente.”

“E quando chega o dia da corrida, eu ainda me sinto ansioso e nervoso como eu costumava ser quando Marco estava correndo.”

Por fim, Paolo também avaliou seus pilotos. Tony Arbolino, fazendo sua estreia no mundial, perdeu seu lugar no time e vai ser substituído por Niccolo Antonelli no próximo ano. Já Tatsuki Suzuki, que impressionou em sua terceira temporada completa no mundial, conseguindo os melhores resultados da equipe, incluindo um quarto lugar no Japão, segue como aposta de Simoncelli. Ele finalizou o ano em 14º.

“Ambos melhoraram muito durante esta temporada. Tony (Arbolino) é um novato. Foi seu primeiro ano no mundial, e foi intenso e difícil às vezes. Mas ele é jovem e talentoso. Se acostumará a isso.”

“No que diz respeito a Tatsu, 2017 foi sua terceira temporada concorrendo na Moto3. Mas este ano foi muito útil para ele.”

“Ele encontrou o time certo e as pessoas certas para trabalhar, e isso o ajudou a dar um passo à frente em seu estilo de condução e em sua capacidade de lidar com as corridas. Ele é muito rápido e estamos ansiosos para começar uma nova temporada com ele no próximo ano.”

Assim como neste ano, o time será patrocinado pela San Carlo, marca de batatas fritas italiana, antiga patrocinadora da Gresini no tempo de Marco Simoncelli.

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Sobre este artigo
Categorias Moto3 , MotoGP
Pilotos Marco Simoncelli , Tatsuki Suzuki , Tony Arbolino
Tipo de artigo Entrevista