Estreante, Folger revela “medo” inicial de duelos da MotoGP

Alemão admite que pensava duas vezes antes de entrar em conflitos com nomes consagrados da categoria

Em oitavo até aqui na temporada da MotoGP,  Jonas Folger afirmou que teve de superar a si mesmo para conquistar os bons resultados apresentados nesta metade de mundial. Apesar de mostrar um ritmo promissor na pré-temporada, o alemão admitiu que tinha um certo receio de entrar em duelos em seu início na MotoGP.

Vencedor três vezes na Moto2, ele diz que respeitava demais os nomes mais conhecidos da categoria.

“Lutando com outras pessoas, vamos dizer que tinha um pouco de medo de cometer erros”, disse em entrevista ao Motorsport.com Brasil.

“E, no fim, se você está com medo, sempre comete erros. Não tinha a confiança que tenho agora, e sem confiança você não consegue lutar. Então, mesmo se tinha um bom final de semana, eu cometia erros, pois não tinha confiança.”

“Acho que foi um processo de aprendizagem longo para chegar onde estou agora. Agora estou com muita experiência, fiz corridas ruins e boas. Sou estreante, e acho que é parte do jogo. Você tem que se sacrificar e aprender.”

Para o alemão, usufruir de 100% da performance da moto tem ligação direta com sua maior confiança, mostrada nas últimas corridas.

“Leva algum tempo para você encontrar o limite da moto na MotoGP. No início, você acha que está no limite, mas está longe. Você precisa cometer alguns erros para entender como você pode melhorar”, prosseguiu.

“Você precisa de boas voltas para entender isso. Você precisa saber onde a eletrônica pode te levar, como estão os pneus, ou então que tática você vai usar na corrida. Tudo isso te faz ter mais confiança nas lutas por posição, porque você está duelando com gente que respeita muito.”

“Há muitos campeões por aqui, então, você demora um tempo para dizer para você mesmo: ‘vou chegar à frente deste cara hoje’. Hoje eu corro como se estivesse correndo com qualquer um, sem pensar ‘ah, este é Lorenzo, este é Rossi, este é o Márquez. Vou ficar atrás deles, não vou passar’. Não, você tem que arriscar, dar o máximo. Ainda tenho este problema, mas estou controlando e isso só me fez melhorar.”

Volta por cima no mundial

Após uma temporada abaixo do esperado como piloto da Aprilia na 125cc, Jonas Folger correu sério risco de ficar fora do mundial no ano seguinte. Em 2012, ele iniciou na Moto3 pela fraca equipe Ioda.

Seus resultados foram péssimos, e a carreira do alemão quase terminou.

“Tive um momento difícil. Eu era muito jovem e tinha prioridades diferentes naquele momento”, falou.

“Não tinha ninguém do meu lado que me mostrasse o jeito correto de fazer as coisas, ninguém para abrir meus olhos e dizer: ‘essa é a sua chance’. Teve um ano ou um ano e meio que eu realmente estive muito perto de parar de correr. Perdi a equipe, perdi o patrocínio e não tinha uma moto competitiva.”

“Mas aí, de repente, tive pessoas amigas que me ajudaram a sair daquilo e me mostraram o que era importante. Não foi só um momento difícil nas corridas, mas também na minha vida privada. No fim, estou muito feliz de ainda estar competindo, não esperava estar onde estou hoje.”

“Quando você pensa que isso foi há apenas cinco anos atrás, não faz muito tempo. Acho que aprendi muita coisa e hoje levo isso muito mais a sério, porque sei como as coisas podem mudar e o quão rápido isso acontece. Estou aproveitando mais e colocando mais esforço do que nunca nisso.”

Na metade de 2012, Jonas foi contratado como substituto de Hector Faubel na equipe Aspar na Moto3. Logo na primeira corrida, em Indianápolis, ele foi ao pódio com um terceiro lugar. Uma semana depois, em Brno, ele venceu a prova.

“Quem me ajudou foi um ex-mecânico e amigo meu espanhol, o nome dele é Cristian Llaviero. Ele foi meu mecânico por muito tempo no campeonato espanhol e ele sabia da minha situação privada e minha situação nas corridas, então me chamou naquela época e me perguntou: ‘posso ir à sua casa? Posso falar com você?’ Ele voou pra a Alemanha, conversamos e ele bolou um plano comigo de voltar. O resto é história.”

A parceria deu gás ao alemão, que ainda venceu três provas e conquistou 11 pódios na Moto2 antes de ser contratado pela equipe Tech3 na MotoGP para este ano.

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Categorias MotoGP
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