Rossi: Após morte de Simoncelli, segui correndo "por amor"

Italiano lembra de como começou a treinar com amigo, recorda luto e diz que mantém academia de pilotos como homenagem

Valentino Rossi abriu seu coração. Em entrevista para a revista Riders, o italiano falou bastante sobre o momento mais difícil de sua carreira na MotoGP. No GP da Malásia de 2011, o piloto acabou envolvido em um acidente que culminou na morte de seu compatriota e grande amigo Marco Simoncelli.

Rossi disse que não pensou em se aposentar após o ocorrido por amor ao motociclismo.

"Nós éramos muito amigos. Estávamos juntos quase todos os dias, pelo menos cinco ou seis dias por semana", disse Valentino.

"Quase sempre, quando nós terminávamos de treinar, íamos jantar com Carlo (Casabianca, seu preparador físico). Sic levava sushi e comia o dobro de nós, e o mandávamos à... bom."

"Estar envolvido no acidente dele foi devastador. Pessoalmente, foi difícil superar isso, mas nunca pensei em me aposentar. Talvez se estivesse duas motos mais à frente, teria sido um pouco mais fácil, mas ao longo do tempo tudo passa. Quando penso no Sic, só tenho memórias positivas. No final, aconteceu assim e nada pode ser feito. Continuei por amor. Caso contrário, eu teria deixado o esporte, porque uma situação como a do acidente de Marco eu não conseguiria superar."

"Eu era mais velho, havia vencido muitos mundiais. Poderia dizer que era o suficiente. Tentei dividir as duas coisas: a dor e o que tem que ser feito para superá-la. Então, pensei na minha carreira. Eu queria continuar, queria voltar para a Yamaha e ganhar novamente."

Valentino também contou como Marco Simoncelli o ajudou a criar um dos projetos que mais gosta de tocar atualmente, a academia de jovens pilotos.

"A academia é o aspecto que mais gosto de tudo. Nós gostamos de fazê-la, e tudo nasceu com Marco Simoncelli, que estava em crise entre 2006 e 2007. Ele não estava bem e me disse: ‘ok, estou na m... e eu não vejo nenhum raio de luz, você pode me deixar ver como você treina? Você me dá uma mão? Podemos treinar junto?”

“Eu era amigo de Marco, mas, como todos os outros, tinha ciúmes da minha maneira de me preparar para as corridas. Estávamos com dúvidas, mas no final Sic foi legal e eu disse a mim mesmo: ‘está tudo bem se houver alguém para me manter em companhia quando treino ou quando estou andando de motocross’. Pensei que seria uma maneira de crescer, e a academia nasceu lá. Enquanto isso, Franco Morbidelli chegou e, infelizmente, o incidente do Sic ocorreu."

"Então, também um pouco para lembrá-lo, continuamos com isso em sua homenagem. Depois de Morbidelli, veio o meu irmão, que tinha começado a correr com seu pai e nós dizíamos: "você tem certeza?" Era estranho, mas então o resto veio naturalmente, como consequência."

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