Autódromo de Curitiba pode virar condomínio em 2016

Presidente da empresa dona do circuito, Jauneval de Oms diz que avalia propostas e pode vender autódromo no ano que vem

O Autódromo Internacional de Curitiba (AIC) recebe neste final de semana pela terceira vez a Stock Car em 2015. Entretanto, o circuito, que também foi palco da pré-temporada da categoria neste ano, pode estar com seus dias contados.

A Inepar, dona do AIC, tem a intenção de vender o terreno para a construção civil. Segundo o presidente da empresa, Jauneval de Oms, já são estudadas muitas propostas para que as negociações sejam consolidadas no ano que vem.

“Existem 12 propostas de vários tipos, diversificadas, mistas. Provavelmente vamos aceitar uma delas. Só depende de nós, proprietários”, afirmou Jauneval ao jornal Gazeta do Povo.

“Há grande possibilidade de fazermos a negociação, mas ainda está em estudo e também há a questão de confidencialidade”.

Admitindo que o autódromo gera lucro há oito anos, Jauneval quer recuperar o investimento da Inepar, de R$ 13 milhões feito no ano de 1995. Mesmo reconhecendo o mercado desaquecido, ele reitera a força de seu terreno e descarta investir novamente no esporte a motor.

“Vender foi a ideia desde o início. Mesmo com o mercado imobiliário em baixa, a tendência era a valorização. É um terreno que não se acha aqui. Está a dez minutos do centro de Curitiba”, disse o presidente.

“Nunca mais [invisto no automobilismo].Como apaixonado é uma pena [fechar o autódromo]. Mas a situação do país não motiva empreendedorismo, os investimentos estão capengas. O país está inviável para qualquer coisa”.

Segundo o diretor da Força Livre MotorSport, Eduardo Pereira, organizadora de arrancadas na região, só foram liberadas pelo autódromo datas até junho de 2016.

“Vamos dizer, temos hoje liberação do autódromo até junho de 2016, onde nos foi proposto para colocar as datas, a gente colocou três datas, as três de arrancadas, pode ser que façamos duas, abrindo mão de uma e possivelmente fazermos um grande evento final em junho, que seria a despedida do autódromo”, disse ao programa de rádio Acelera Banda B.

Desde 1967, o Autódromo Internacional de Curitiba já recebeu 53 corridas da Stock Car. A primeira foi em 1989. A pista já recebeu eventos do WTCC, da categoria argentina TC2000 e da Fórmula Truck.

Os pilotos também comentaram o possível fechamento do autódromo.

"Em termos de estrutura, é uma das melhores do Brasil, num centro importante, porque o automobilismo sempre foi muito forte no Paraná. A cidade perderia bastante e a gente ficaria de mãos atadas, sem poder fazer nada. Temos que torcer para que novas opções surjam no Brasil ou que os autódromos mais velhos sejam recuperados. Existem vários espalhados pelo país, mas sem poder abrigar uma categoria como a Stock Car", disse Antoio Pizzonia, da equipe Prati-Donaduzzi.

E ele acrescentou. "É o caso de Londrina, onde já fomos diversas vezes, mas hoje não dispõe da segurança necessária a uma categoria como esta. O funil está cada vez mais estreito e precisamos brigar para que essas pistas sejam reformadas. Não é apenas a Stock Car, mas todas as categorias seriam prejudicadas com o fechamento de Curitiba."

Único piloto local a ganhar em Curitiba, Julio Campos sente que um pedaço de sua própria história pode estar com os dias contados. "Como curitibano, sempre vi o autódromo como uma parte da minha casa. Seria muito triste passar na frente e ele não estar mais aqui. Se essa notícia se concretizar, espero que alguém consiga encontrar uma alternativa, porque o fechamento é ruim para a cidade e para o automobilismo brasileiro. 

 

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