CBA afasta comissários e defende lisura de títulos na Stock

Entidade diz que vai abrir inquérito administrativo para investigar caso, mas não enxerga possibilidade de punições terem interferido na definição de títulos desde 2009

A Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) se manifestou, por meio de uma nota oficial publicada em seu site oficial, sobre a polêmica provocada pela troca de mensagens entre comissários da Stock Car revelada pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira. Segundo a entidade, os dois fiscais citados nominalmente pela reportagem, Paulo Ygor Dias e Clóvis Matsumoto, foram afastados preventivamente.

Na conversa relatada pelo jornal, os dois comissários fazem piadas, citando os nomes de Cacá Bueno e Thiago Camilo, dizendo que poderiam puni-los por serem os mais chatos do grid da Stock. Clóvis diz, segundo o publicado na reportagem, que Cacá foi três vezes vice porque ele não “estava a fim de deixá-lo ser campeão”. Os fiscais alegam que estavam brincando e não há como punir pilotos a não ser de forma técnica.

A CBA apresenta uma avaliação aparecida. Apesar de informar no comunicado que vai abrir inquérito administrativo para apurar supostas irregularidades, a entidade diz que os relatórios técnicos são apenas base para punições esportivas e não há, desde 2009, casos que tenham interferido na disputa de títulos.

O Motorsport.com entrou em contato com Clóvis Matsumoto, que disse que só falaria com autorização da CBA e não sabia do afastamento.

Veja o comunicado na íntegra:

A Confederação Brasileira de Automobilismo - CBA - vem a público informar que tomou ciência da matéria, publicada na data de hoje, 29 de fevereiro de 2016, no jornal Folha de S. Paulo, pela jornalista Paula Cesarino Costa, intitulada: "Troca de mensagens põe em xeque isenção de fiscais da Stock Car".

A matéria informa que a Folha de S. Paulo "teve acesso a uma troca de mensagens, por WhatsApp de um grupo de comissários e auxiliares que atua no circuito".

Nas conversas, a que a Folha de S. Paulo diz ter tido acesso, os comissários supostamente fariam ameaças de desclassificar pilotos e se vangloriariam de já o terem feito.

 A matéria se refere especificamente ao auxiliar Ygor Dias, ao Comissário Técnico Clóvis Matsumoto e aos pilotos Cacá Bueno, Xandinho Negrão e Átila Nunes.

 A CBA informa que, provisória e preventivamente, resolveu afastar os oficiais de pista citados na matéria e abrir inquérito administrativo para apurar supostas irregularidades, além de encaminhar a matéria jornalística para a Procuradoria do STJD do Automobilismo, ante a gravidade do narrado.

 A CBA esclarece que os auxiliares e comissários técnicos não têm o poder de desclassificar ou de tirar pontos de qualquer piloto. Eles, os comissários técnicos, elaboram um relatório técnico, emprestando conformidade ou desconformidade ao veículo de competição diante do regulamento técnico da categoria.

 As vistorias técnicas são realizadas, de ofício, pelos comissários técnicos ou por reclamações de pilotos ou de equipes concorrentes, na forma do Código Desportivo do Automobilismo e, em qualquer hipótese, são acompanhadas, pessoalmente, no local em que os carros são vistoriados, por membros da equipe proprietária do veiculo, inclusive pelo piloto, se assim o desejar.

 Os regulamentos técnicos das categorias são objetivos, não se prestando, em regra, a interpretações divergentes.

 Os Comissários Desportivos, com base nos relatórios elaborados pelos Comissários Técnicos, na presença dos membros das equipes, têm o poder de punir os pilotos, inclusive com perda de pontos.

 A CBA, em levantamento realizado a partir de janeiro de 2009, pode afirmar, com toda certeza, que nenhum piloto veio a ser punido pelos comissários desportivos, com base em relatório dos comissários técnicos, e, portanto, nenhum piloto deixou de ser campeão em virtude de punições dos comissários da CBA.

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