De volta às pistas, Nasr exalta 2017 "pessoalmente incrível"

Ex-Fórmula 1 fala sobre desilusão de perder vaga no mundial e de ano sabático forçado fora das competições

Depois de duas temporadas pontuando na modesta equipe Sauber na Fórmula 1, Felipe Nasr se viu fora da categoria após o orçamento de seu principal patrocinador, o Banco do Brasil, ser diminuído devido à atual crise financeira no país.

Sem lugar no mundial, ele foi obrigado a passar o ano de 2017, aos 25 anos, fora das competições.

“Meu ano de 2017 foi influenciado pelo término do meu acordo com a Sauber no final de 2016. Foi um término tardio”, iniciou ao Motorsport.com.

Nasr destacou que, fora das pistas, o ano foi de um profundo crescimento pessoal.

“Ok, você pode falar que o meu 2017 como piloto foi uma merda, que eu não corri nada”, seguiu.

“Mas abro um parêntese grande, porque pessoalmente foi importante. Pude repensar muita coisa, pude fazer coisas que eu gosto, e me reconectar com amigos e família. Priorizei vontades pessoais e estudos também. Por isso que digo que foi um ano pessoalmente incrível. Hoje me sinto à vontade, tenho muita certeza dos passos que eu dou. Da maneira que foi, foi bem positivo.”

O drama de estar sem lugar na F1 pegou o brasiliense desprevenido no final de 2016, o que o fez ter problemas para encontrar vagas no mundo do automobilismo.

“Estávamos em dezembro e todas as outras categorias já estavam fechadas com outros pilotos. Mas, apesar disso, foi um ano de crescimento pessoal muito grande. Pude me reagrupar e direcionar meu foco para as coisas importantes. Digo isso com ênfase, porque foi um ano no qual estive profissionalmente parado.”

“Eu pude me reconectar com a minha vontade de piloto e buscar tudo novamente, para que no momento que surgisse uma oportunidade, estar com muito tesão de estar em um carro de corrida. Foi um ano sabático mais ou menos, porque testei outros carros. Estive direto em cima de um kart, intensifiquei muita coisa, continuei com treinos físicos. No meio do ano eu fiz também um treino com a minha equipe agora no IMSA, a Action Express. Assinamos um contrato até bem cedo.”

“Ajustei muita coisa no meu padrão pessoal e profissional. Estou muito mais à vontade e focado. E continuo querendo estar em um carro de corrida. E aí pintou este convite bem bacana da Stock Car. É muito legal, essa corrida traz uma mídia e um público.”

Sensações no Stock Car

Nasr também falou sobre sua adaptação ao carro da Stock Car. Neste final de semana, ele terá ao lado o bicampeão Ricardo Maurício no #90 da Eurofarma Full Time.

“É bem diferente”, falou.

“Primeiro pelo cockpit fechado. É uma visão diferente do que eu estava acostumado. Tenho que me acostumar a não enxergar as rodas dianteiras. Mas é legal. O carro é divertido, meio manhoso, tem uma potência bacana e freia bem. Interlagos é um templo também. Uma das pistas que mais gosto de guiar.”

“Estou acostumado com Fórmulas e protótipos. Esses carros são muito agressivos em freadas e aceleração, não temos muito tempo de rolagem. Quando eu falo rolagem, é o tempo em que você freia e já volta ao acelerador.”

“Temos muito downforce do outro lado, e no Stock Car é o oposto. Aqui o piloto é mais dependente do grip mecânico. A freada é mais na reta e o uso do freio-motor ajuda muito a frear o carro. Mas tudo é costume.”

“Outra diferença é que o carro aqui é muito sensível a mudanças de temperatura. A margem também é muito fina. Se você exagera, paga o preço. E isso torna o nível da categoria muito próximo. Você necessita de precisão.”

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