Emocionado, pai de Fraga cita “orgulho” ao falar de título

Mesmo com chuva intermitente e ameaça de Barrichello, Irineu Fraga diz que segurou a apreensão: “foi uma escolha lógica”

Quando Felipe Fraga cruzou a linha de chegada no décimo lugar na última etapa da temporada de 2016 da Stock Car neste último domingo (11) em Interlagos, uma das pessoas que mais comemorou seu primeiro campeonato na categoria foi seu pai, Irineu Fraga.

Falando ao Motorsport.com logo após a conquista do filho, Irineu conseguiu segurar a emoção e mostrou calma ao falar da corrida tensa que coroou Felipe como o mais jovem campeão da história da Stock Car.

“Minha sensação é de alívio. Este é um trabalho de 15 anos que está sendo corado hoje por aquilo que o Felipe fez”, falou.

“Tudo o que ele sempre quis foi correr, e eu procurei sempre dar aquilo que ele queria.”

Irineu disse que não temeu o fato de Fraga ter parado nos boxes na liderança quando a chuva começou. Segundo ele, tudo foi muito bem calculado pela equipe Cimed Racing. “O time tomou a atitude certa. A gente fica apreensivo, mas não podíamos arriscar continuar na pista.”

“A equipe não trabalhou para ganhar a corrida, trabalhou pra ganhar o campeonato. O mais seguro era entrar nos boxes, ele não podia correr o risco de ficar na pista porque ele tinha uma diferença grande para o Barrichello. O Barrichello também não tinha o que tentar, a não ser ficar na pista. Foi uma escolha lógica dos dois lados.”

“Quando ele voltou lá em 11º, sabíamos que ele não teria problemas. A apreensão veio só quando começou a chuva.”

Barrichello “ídolo”

Além do título, outro grande motivo de orgulho para o pai de Felipe Fraga foi seu filho ter duelado contra seu herói de infância pela conquista. Melhor piloto do Brasil durante a infância do filho, Rubens Barrichello sempre foi o ídolo do tocantinense.

“Ele começou a ver corridas com o Barrichello sendo o melhor brasileiro do automobilismo, e ele continua tendo como ídolo o Barrichello”, falou.

“Você não tem ideia: quando o Rubinho e o Tony Kanaan o convidaram para fazer as 500 Milhas de kart com eles pela primeira vez, você não sabe do orgulho que eu tive. Um piloto de Fórmula 1, um piloto da Ferrari, chamou o meu filho para ir correr com ele.”

“O Barrichello é um exemplo de piloto, e não é à toa que ele tem 19 anos de Fórmula 1. Não é para qualquer um. ‘Ah, ele está velho’ - que nada, gente. Ele tem 44 e está perfeitamente em forma, tem até condições de voltar a correr de F1 – é um profissional de altíssimo nível.”

Caminho diferente

Desistindo de seguir carreira na Europa após a falta de patrocínios, Fraga retornou ao Brasil e investiu na carreira de piloto profissional. Irineu fala com grande felicidade da escolha do filho.

“Quando voltamos, o Cacá Bueno falou com ele: ‘Felipe, eu também queria ser piloto de Fórmula 1. Vivi três anos na Europa e tive dificuldades. Tenta o turismo, faz um ou dois anos. Não pense no automobilismo como F1, pense como um todo’.”

“Ele voltou para cá por falta de opção e por circunstâncias financeiras. A gente entendeu que se ele ficasse mais um ano lá, seria por hobby. Não queríamos isso, queríamos ser competitivos. Ele teria de subir para alguma categoria, como a GP3, World Series ou a GP2 – que seria um passo muito grande na época. Encontrar patrocínios aqui no Brasil para ir para a Europa é muito difícil.”

“Hoje ele é o campeão mais jovem da Stock Car – o primeiro da Stock Car como campeonato sul-americano. O (Giuliano) Losacco (campeão mais jovem antes) tinha 27 anos e ele tem 21. O Felipe com essa idade já é um piloto muito respeitado por todos os colegas e um piloto profissional estabelecido. Ele está no caminho certo, e vem muito mais por aí – este foi só o primeiro.”

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