Jornal: Conversa entre fiscais da Stock levanta suspeitas

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Jornal: Conversa entre fiscais da Stock levanta suspeitas
29 de fev de 2016 13:00

Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo revela troca de mensagens em grupo no Whatsapp entre comissionários e auxiliares sobre punições

Uma reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal Folha de S.Paulo promete sacudir o automobilismo nacional nos próximos dias. Nela, são apresentadas conversas entre comissários e auxiliares da CBA que trabalham - ou já trabalharam - em corridas de Stock Car que levantam dúvidas sobre a isenção para punições aplicadas na principal categoria do Brasil e, consequentemente, até interferências em campeonatos.

Uma das mensagens reveladas, atribuídas pelo jornal ao auxiliar de comissário Paulo Ygor Dias, tem as seguintes frases escritas dois dias após a prova de Ribeirão Preto em 2015, quando Cacá Bueno disse que  “os caras da CBA são um bando de imbecis” pelo rádio. 

“Vamos desclassificar ele (Cacá) por alguma coisa na próxima etapa. Assim quero ver ele ficar o bicho... kkk. Este otário já tava falando merda desde lá de cima... Nós temos que foder ele o Tiago Camilo. Os caras mais chatos. Já sabem né... Velopark teste de saída de pilotos neles... Já para começar a ser chato... kk”. Não houve punições a Cacá na prova seguinte.

Na sequência da conversa, ainda segundo a Folha de S.Paulo, o comissário Clóvis Matsumoto - que não trabalha na Stock desde 2009 - teria dito. “Bom, na minha época o Cacá foi três vezes vice pq eu não estava a fim de deixar ele ser campeão! Kkk”. Na resposta, Paulo Ygor escreve: ‘eu presenciei essa época do Matsu.. e tbm não faz muito que ele não foi campeão por uns pontinhos que tiramos dele...”

A Folha de S.Paulo cita, apenas para contextualização, um caso de 2005 em que houve uma punição de pontos a Cacá Bueno, vice-campeão naquele ano, por uma irregularidade no posicionamento da bomba de direção hidráulica.

Cacá Bueno disse que, ouvindo a conversa, lembrou deste e de outros episódios em que, sua avaliação, pode ter ocorrido interferência e defendeu uma investigação séria. “É um absurdo, porém, infelizmente, não me surpreende. Sempre tive suspeitas”, disse à Folha de S.Paulo.  

Tanto Clóvis Matsumoto como Paulo Ygor se defenderam dizendo que as mensagens foram trocadas em tom de brincadeira. “Não tem ‘pegação’ no pé, não dá para inventar punições, uma vez que as questões são técnicas”, disse Matsumoto, que atua desde 2002 na função e diz que nunca viu punições por implicância.

Paulo Ygor também disse que o trabalho dos comissários é técnico e que a conversa não corresponde a ações concretas. “Assim como ele (Cacá) xingou a gente (de imbecis), eu posso achar que ele é chato”, disse, também à Folha de S.Paulo.

O diretor de competição da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Nestor Valduga, classificou a suspeita de gravíssima e disse que vai apurar os fatos. “Instauraremos uma sindicância, embora não tenha havido perda de pontos”, disse. Segundo ele, “nunca chegou à CBA algo que desabone o trabalho de Matsumoto”. Já Paulo Ygor, de acordo com Valduga, não tem nenhum poder de indicar irregularidades técnicas.

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