Oliveira: Automobilismo japonês era enganosamente desprezado

Brasileiro que ajudou Daniel Serra a vencer na primeira prova do ano da Stock Car falou sobre o atual momento do esporte japonês

O automobilismo japonês voltou a ser referência, após ter nos anos 1990 nomes como Heinz-Harald Frentzen, Eddie Irvine, Mika Salo, Ralf Schumacher, entre outros. Contando com as principais marcas do país e se desenvolvendo em duas frentes, na Super Fórmula e na Super GT, o país voltou a ser um bom atrativo para alavancar a carreira para a F1 ou até mesmo como projeto final para um piloto profissional.

Desde 2004 por lá, João Paulo de Oliveira foi o campeão da temporada 2010 da Fórmula Nippon, que se transformaria na Super Fórmula a partir de 2013. Hoje ele compete na Super GT, tendo terminado em 16º em 2017.

Falando com exclusividade ao Motorsport.com Brasil, JP falou sobre o atual momento do esporte na terra do sol nascente.

“Acho que a Europa e o mundo começaram a redescobrir o Japão" disse o piloto. "Lá é um dos poucos lugares que você ainda tem aquele automobilismo puro, você vê a competição entre as marcas de carros e pneus.”

“No Super GT a gente tem quatro marcas de pneus, três de carro diretamente envolvidas. Eles que vem à pista, ninguém é contratado por eles.”

“A Bridgestone, a Yokohama, a Dunlop e a Michelin, a Toyota, Honda e Nissan, fazem um automobilismo muito direto e isso é diferente do que você está acostumado a ver na Europa, a não ser o DTM. Mas eles são uma categoria monomarca de pneus, então eles não têm um desenvolvimento de pneu tão forte como nós.”

A redescoberta do Japão se deu muito em função da ida de Stoffel Vandoorne, que foi campeão com sobras da GP2 de 2015, mas que não conseguiu lugar na F1 no ano seguinte. Após sua passagem, outros nomes, como Felix Rosenqvist, Pierre Gasly e André Lotterer estiveram presentes.

“A Super Fórmula vem atraindo muita gente da Europa, principalmente pela atenção que o (Stoffel) Vandoorne criou, para que isso seja um passo natural para os pilotos.”

Mas antes desta nova onda, será que as duas principais categorias japonesas eram desprezadas? Com a palavra, quem esteve lá antes de Vandoorne.

“Pode ser, talvez. Mas era enganosamente desprezado, porque é uma categoria superforte e que tem uma projeção muito boa. Os pilotos que estão lá hoje tem um nível mundial. É muito bacana ver que o mundo está redescobrindo o automobilismo japonês.”

A SuperGT vem crescendo mundialmente, todo mundo está começando a acompanhar mais e a Super Fórmula ganhou este patamar, de formadora para a Fórmula 1.”

“A SuperGT tem um potencial muito grande de crescimento, eles estão em conversas com o DTM e de repente pode acontecer uma fusão e isso pode criar uma categoria quase nunca vista, uma categoria de carros GTs avançados, onde as principais marcas do automobilismo mundial estarão diretamente envolvidas.”

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Sobre este artigo
Categorias Super Fórmula , Super GT
Pilotos J.P.L. De Oliveira
Tipo de artigo Entrevista