Análise: O que causou a fumaça no motor Ferrari nos testes?

Um dos aspectos mais curiosos dos testes da Fórmula 1 na pré-temporada girou em torno das equipes de motores Ferrari, e as enormes cortinas de fumaça que foram bombeadas para fora de seus carros.

Ao invés de ser uma ocorrência única, tornou-se algo bastante normal uma nuvem de fumaça engolir o pit lane logo antes de uma Ferrari sair de sua garagem.

A característica, que aconteceu também com os times clientes - Sauber e Haas - deixou muitas pessoas coçando suas cabeças e se perguntando se a Ferrari está com alguns truques especiais no motor.

No entanto, parece que a fumaça foi, de fato, uma consequência das novas regras da F1 trazidas neste ano para reprimir a queima de óleo, uma área que se acreditava que a Ferrari fosse particularmente ativa no ano passado.

Novas regras

Além dos novos requisitos para ajudar a FIA a monitorar a quantidade de óleo que as equipes estão queimando, outros ajustes às regras foram introduzidos em relação à tubulação de vapor de óleo dos tanques de captura.

Anteriormente, era possível - através do uso de válvulas de controle ativas - jogar este vapor de volta para o airbox do carro, onde então ele poderia ser levado de volta ao motor, onde seria queimado e geraria um aumento de potência.

No entanto, duas novas regras de 2018 agora proíbem isso e forçam as equipes a tirar qualquer excesso de vapor de óleo do carro.

O artigo 5.1.12 dos regulamentos técnicos da F1 estabelece: "Todos os fluidos de respiro da unidade de potência só podem respirar a atmosfera e devem passar através de um orifício que está posicionado atrás da linha central do eixo traseiro, e a menos de 400 mm acima do plano de referência e a menos de 100 mm do plano do centro do carro. Nenhum fluido de respiro pode voltar a entrar na unidade de energia."

O artigo 7.8 afirma: "É proibida a utilização de válvulas de controle ativas em qualquer parte da unidade de potência e a readmissão do ar do motor".

Ferrari SF71H, rear
Ferrari SF71H, traseira

Foto: Mark Sutton

Novo escape

Essas regras levaram as equipes a encaixar escapes para tirar o vapor de óleo do motor na parte traseira de seus carros, e foi isso que causou a fumaça nos boxes em Barcelona.

Sauber C37, detail rear
Sauber C37, traseira

Foto: Motorsport.com

A Ferrari optou por canalizar o seu vapor através de um canal integrado na parte inferior da estrutura traseira.

Por isso, parece que o time dispersa muito mais vapor de óleo pela unidade de potência do que outras equipes. Isso resultou na trilha de vapor que se pôde observar nos testes.

As condições frias também aumentaram as coisas – considerando o quão quente o vapor de óleo estava naquele momento.

Mercedes-AMG F1 W09, rear detail
Mercedes-AMG F1 W09, traseira

Foto: Mark Sutton

Enquanto isso, o resto do grid optou por colocar suas tubulações ao lado de seus gases de escape, provavelmente seguindo as recomendações de seus fornecedores de unidades de energia.

Ainda não está claro se esta característica da Ferrari foi suficientemente um problema para provocar uma mudança no carro do time italiano antes do GP da Austrália, ou se é algo que teremos que nos acostumar a ver ao longo de 2018.

Nenhuma preocupação da FIA

Embora a fumaça tenha parecido bastante dramática, a FIA não crê que precise interferir.

O diretor de provas da F1, Charlie Whiting, sugeriu que a característica da Ferrari seja semelhante ao que acontecia com a Toro Rosso no ano passado nos grids.

Quando perguntado pelo Motorsport.com sobre o assunto, Whiting disse: "Nós vemos isso com bastante frequência, nós o viamos muito com a Toro Rosso no ano passado sempre que eles ligavam os carros”.

"Nós acreditamos que seja apenas combustível entrando no turbo. Eles não estão fazendo isso na pista."

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Categorias Fórmula 1
Tipo de artigo Análise