Doria garante que privatização não coloca autódromo em risco

Prefeito de São Paulo dá volta rápida de Ferrari em Interlagos e volta a citar Abu Dhabi como referência de privatização

A Prefeitura de São Paulo realizou nesta quarta-feira (25) seu tradicional evento pré-GP do Brasil. O prefeito João Doria esteve presente no Autódromo de Interlagos, onde concedeu entrevista a veículos de imprensa e falou sobre o futuro do local.

O tucano continua insistindo em uma de suas principais promessas de campanha, que consiste na desestatização do autódromo e de outras propriedades públicas. No entanto, ele garante o futuro da pista que desde 1990 recebe ininterruptamente a Fórmula 1.

“Este será provavelmente o último Grande Prêmio de Fórmula 1 com o autódromo sob controle da Prefeitura de São Paulo”, disse Doria, que deu volta rápida de passageiro em uma Ferrari F12 TDF antes da entrevista coletiva.

“A privatização do Autódromo de Interlagos será colocada junto à Câmara Municipal. Nós temos a convicção da aprovação.”

“No contrato, o novo proprietário do autódromo terá de respeitar o contrato vigente até 2020 (com a Fórmula 1). Todas as clausulas existentes serão rigorosamente obedecidas.”

“A partir do ano que vem, após o leilão na bolsa de valores (Bovespa), o novo proprietário terá de obedecer o contrato até 2020 e o nosso desejo é que ele seja renovado e a F1 continue ocorrendo em São Paulo em 2021, 2022 e 2023.”

Neste ano, Doria chegou a dizer que o ex-chefe da F1, Bernie Ecclestone, e a Pirelli teriam interesse em adquirir o autódromo. Ambos negaram, no entanto o prefeito assegura que grupos nacionais e internacionais participarão do leilão que deve ocorrer no início do próximo ano. O valor inicial do autódromo gira em torno de R$ 2 e 2,5 milhões.

“Há algumas manifestações prévias de interesse, mas não é prudente revelarmos. Isso será formalizado ao Wilson Poit (secretário de desestatização) tão logo tenhamos aprovação da câmara nas duas votações.”

“Só aí vamos poder informar os interessados, mas há grupos brasileiros e internacionais. O autódromo de Interlagos com a Fórmula 1 é um pacote muito atraente a estes investidores.”

O prefeito voltou a garantir o futuro do autódromo como autódromo. “O que eu quero reafirmar é que o autódromo continuará a ser autódromo. Ele não mudará sua finalidade, mas será complementado para pagar os gastos.”

Referência Abu Dhabi

João Doria voltou a falar do autódromo de Yas Marina, em Abu Dhabi, como principal referência para o novo modelo de gestão de Interlagos. Para o prefeito, há a possibilidade de se fazer um trabalho semelhante no Brasil.

"Os empreendimentos imobiliários em torno da pista vão seguir muito o modelo de Abu Dhabi", disse.

"O autódromo de Abu Dhabi, que é um dos mais recentes incorporados ao mundial de Fórmula 1, serve de referência para o novo projeto de Interlagos. Temos hotel, entretenimento e residências de alto padrão. A gestão é impressionante: de 365 dias no ano, em 360 eles operam. Isso dá rentabilidade e é uma operação modelo."

Questionado pelo Motorsport.com sobre a administração do autódromo árabe ser feita pelo governo do emirado, Doria disse: "O autódromo é de propriedade de um fundo de investimentos que tem controle da família real, não do governo."

"Abu Dhabi tem o segundo maior fundo de investimentos do mundo. O autódromo é uma empresa: tem que rodar e tem que ter lucro. Muitas categorias correm lá, e existem atividades privadas da Ferrari, da Porsche e da Mercedes."

"Há entretenimento para o público, onde você vai lá compra o ingresso e pode ter acesso –algo que custa um preço considerável."

"Essa é uma decisão empresarial, não é algo imposto pela prefeitura. É óbvio que para que você tenha resultado positivo, você terá que investir para que o retorno imobiliário e operacional pague este investimento."

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