Especial: O truque em Paul Ricard que quase chocou a F1

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Especial: O truque em Paul Ricard que quase chocou a F1
Jonathan Noble
Por: Jonathan Noble
Co-autor: Franco Nugnes
21 de jun de 2018 13:43

Último GP da França realizado em Paul Ricard, em 1990, teve boa sacada de Ivan Capelli que quase lhe rendeu o lugar mais alto do pódio

A última visita da Fórmula 1 a Paul Ricard quase testemunhou uma das maiores atuações de um piloto, quando Ivan Capelli chegou estar a três voltas de uma surpreendente vitória com a pequena Leyton House. No final, a chance de triunfo se afastou, graças à queda de pressão de óleo nos estágios finais da prova. Mas mesmo sem a vitória, tivemos um verdadeiro clássico da F1.

Apenas quinze dias depois de Capelli e seu companheiro de equipe, Mauricio Gugelmin, não terem se classificado para o GP do México, o bom circuito do GP da França foi o local perfeito para a aerodinâmica do GC901.

As coisas foram ajudadas mais à frente da corrida por uma mudança no difusor para fazê-lo funcionar melhor, e no próprio fim de semana, Capelli percebeu que um pequeno truque dele na famosa curva Signes tinha o potencial de ajudar a entregar algo incrível.

"Este carro só era bom nos circuitos muito suaves, que Paul Ricard era, embora o asfalto fosse abrasivo", disse Capelli ao Motorsport.com.

"Fomos muito, muito competitivos nos treinos e percebi que havia uma chance de economizarmos pneus.”

"Para fazer isso, eu não tinha que fazer a curva Signes completamente porque senão destruiríamos o pneu dianteiro esquerdo. Eu sabia que ao fazer isso nos daria a chance de fazer a corrida sem parar, enquanto todos os outros teriam que parar nos boxes."

Embora Capelli tenha se classificado em sétimo, com Gugelmin a três posições atrás, ele estava confiante de que o truque na Signes, aliado à maneira como o carro estava se saindo em long runs, lhe daria uma boa chance de algo bom.”

Mas houve alguns momentos difíceis antes do início, quando o chefe técnico Gustav Brunner, de repente, começou a pressioná-lo por uma mudança na configuração do carro.

Nigel Mansell, Ferrari 641 leads Gerhard Berger, McLaren MP4/5B Honda, Ayrton Senna, McLaren MP4/5B Honda, Alessandro Nannini, Benetton B190 Ford, Alain Prost, Ferrari 641, Riccardo Patrese, Williams FW13B Renault and Ivan Capelli, Leyton House CG901 Judd
Nigel Mansell, Ferrari 641 leads Gerhard Berger, McLaren MP4/5B Honda, Ayrton Senna, McLaren MP4/5B Honda, Alessandro Nannini, Benetton B190 Ford, Alain Prost, Ferrari 641, Riccardo Patrese, Williams FW13B Renault and Ivan Capelli, Leyton House CG901 Judd

Photo by: LAT Images

"Pouco antes da corrida, havia o que eu chamaria de uma discussão construtiva entre Gustav e eu sobre o carro", acrescentou Capelli.

"O Gustav veio até mim e disse: 'Escute, o vento mudou muito, há um vento lateral muito forte e eu gostaria de colocar mais asa na frente, para aumentar o nível de downforce'.”

"Eu estava preocupado e disse: 'Não, o carro está tão perfeito e tão bem equilibrado. Não toque nele porque sinto que o carro está muito competitivo'.”

"Mas Gustav insistiu e chegamos a um acordo muito engraçado. Colocamos apenas um grau a mais na parte interna, à direita da asa dianteira.”

"Deixamos o lado de fora da mesma forma. Então ele tinha uma configuração assimétrica e isso, no final, foi uma solução muito boa."

No começo da corrida, quando os líderes se afastaram, Capelli e Gugelmin sabiam que, se cuidassem dos pneus, as oportunidades viriam mais tarde.

"Foi uma aposta. Decidimos não trocar os pneus e tivemos o cuidado no início da corrida, para não colocarmos nenhuma carga extra nos Goodyears.”

"Me senti muito bem no carro e, quando os outros pararam para trocar pneus, me vi na liderança.”

"Liderei a corrida por 46 voltas, então eu estava bem convencido de que ia ganhar. Embora Prost estivesse perto de mim, pensei que ele não iria querer correr nenhum risco em me ultrapassar porque ele tinha que considerar a situação do campeonato.”

"Mas três voltas antes do final, quando eu estava passando pela Signes, vi a luz de um dos alarmes de óleo acendendo e ouvi um pouco de barulho vindo do motor.”

"Eu não tive escolha a não ser diminuir, e Prost aproveitou o momento e assumiu a liderança. Naquele momento eu estava completamente arrasado, porque achei que uma oportunidade tão boa nunca mais aconteceria. Eu estava infeliz por não vencer a corrida.”

"Mas depois, quando me encontrei no pódio ao lado de Prost, que venceu a corrida, e de Ayrton Senna, que estava em terceiro, fiquei muito feliz. Estar lá em cima com grandes pilotos e grandes personalidades foi algo fantástico."

Ivan Capelli, Leyton House CG901 Judd leads Alain Prost, Ferrari 641
Ivan Capelli, Leyton House CG901 Judd leads Alain Prost, Ferrari 641

Photo by: LAT Images

Como Newey perdeu um clássico da F1

Por Edd Straw

Foi o maior momento de sua carreira no design de Fórmula 1 até hoje, e Adrian Newey perdeu. Enquanto Ivan Capelli esteve a três voltas de vencer o GP da França de 1990, pilotando a Leyton House CG901, o projetista do carro não estava nem no país, optando por se juntar a Williams, dias antes da viagem a Paul Ricard.

"Eu estava assistindo na televisão", diz Newey, que apesar de Capelli ter perdido a liderança para a Ferrari de Alain Prost quando teve um problema mecânico na 78ª volta da corrida de 80, ainda ficou encantado com a performance.”

"Foi muito gratificante ver que depois de passar pelos problemas em 1989 e na primeira parte de 1990, que foram causados pelo túnel de vento de Southampton que estávamos usando, que chegamos a uma solução que funcionou e viu o carro sendo genuinamente competitivo."

Para Newey, o desempenho foi vital para conquistar a confiança do co-proprietário da Williams, Patrick Head, provando que seus conceitos aerodinâmicos poderiam produzir um carro de corrida.

"Definitivamente teve um efeito sobre Patrick", avalia Newey. "Ele ficou silenciosamente impressionado com isso. Aquela performance, e a velocidade na próxima corrida em Silverstone, deram a Patrick um grau de confiança de que eu sabia o que estava fazendo, então ele me deu uma mão livre no layout do FW14."

O FW14 de 1991 evoluiu para o FW14B que conquistou a temporada seguinte. O carro de Newey pode não ter vencido na França, mas, a longo prazo, essa corrida foi fundamental para o sucesso que estava por vir."

Podium: winner Alain Prost, Ferrari, second place Ivan Capelli, Leyton House Judd, third place Ayrton Senna, McLaren Honda, FIA President Jean-Marie Balestre
Podium: winner Alain Prost, Ferrari, second place Ivan Capelli, Leyton House Judd, third place Ayrton Senna, McLaren Honda, FIA President Jean-Marie Balestre

Photo by: LAT Images

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Categoria Fórmula 1
Autor Jonathan Noble