“F1 não está com câncer, só dor de cabeça” diz Jean Todt

Dirigente francês se diz tranquilo mas reconhece que esporte tem espaço para boa melhora no regulamento técnico.

Com as crescentes críticas de equipes, pilotos e fãs em cima do formato esportivo e técnico da Fórmula 1, o dirigente da Federação Internacional de Automobilismo, Jean Todt, acredita que muita gente esteja fazendo tempestade em copo d'água. O francês vê a categoria com uma simples "dor de cabeça", ao invés do "câncer" que todos dizem.

"Eu não acho que estamos diante de um câncer", disse Todt em uma entrevista na sede da FIA em Paris.

"Estamos diante de uma dor de cabeça. Então, precisamos encontrar uma receita para a dor de cabeça. Não concordo que temos de curar um câncer. E de certa forma, a dor de cabeça está no caminho para ser curada. Nós não precisamos de grandes mudanças."

Motores certos, mas "muito caros"

Um dos focos da crítica em cima da F1 são os motores turbo híbridos introduzidos em 2014. Todt continua convencido de que a mudança de unidade de potência era a coisa certa para a F1, mas acha que um erro foi cometido no controle de custo dos times clientes.

"Acho que o motor é uma evolução muito grande, mas é muito caro", disse ele. "Assumo a responsabilidade de provavelmente não ter garantido um custo máximo para os clientes. É algo que vamos abordar. Antes tarde do que nunca, mas nós vamos controlar o custo para os clientes."

Ele também sugere que as críticas com relação à economia de combustível tenham surgido pela existência de mais comunicações de rádio transmitidos pela TV. No entanto, Todt está disposto a negociar uma abertura maior do fluxo de combustível.

"Agora todo mundo está dizendo: 'nós não gostamos de corridas porque é só controle de consumo de combustível, freios e pneus'", disse. "Meu primeiro ano como chefe de uma equipe na Fórmula 1 foi em 1993.”

"Eu me lembro que as comunicações de rádio eram diferentes e não tão desenvolvidas, porque ninguém tinha acesso. Era só pilotos para equipes e equipes para pilotos. Depois disseram: 'hmmm, devemos dar mais informações. Vamos dar às TVs livre acesso à discussão'. Então, por vezes as pessoas precisam interpretar o que é dito. Mas eles não querem que todos ouçam a versão original do que é dito.”

"Mas em 1993 nós tínhamos problemas com os freios, com o desgaste dos pneus e tínhamos de ser cuidadosos com o combustível. Portanto, não é algo novo. Mas será que isso significa que não devemos considerar isso agora? Se a resposta for vamos dar mais 5 kg de combustível, não vejo problema.”

"No momento temos alguns pilotos insatisfeitos. 'Você está feliz?' Eles vão dizer 'não'. Essa é a verdade. Se você tem uma conversa sincera, por que é que o cara não está feliz? É porque ele não está ganhando. Se você perguntar ao Hamilton se ele está feliz agora, ele vai dizer que não. Se você perguntar ao Rosberg se ele está feliz, ele vai dizer que sim. E vice-versa na corrida anterior.”

"Mas, novamente, é um fato da vida. Você está feliz se você tiver sucesso, e não está feliz se não tem sucesso."

Mudanças de 2017 ajudarão

Todt esteve envolvido em discussões com os interessados na F1 nas últimas semanas para tentar fazer novas regras para 2017, que têm como finalidade tornar o esporte mais emocionante. Para ele, algumas coisas já poderiam entrar em vigor no próximo ano. No entanto, ele sabe que para fazer isso vai precisar de apoio das equipes.

"Se vamos lidar com uma proposta boa e acordada por unanimidade, com certeza é algo que pode ser implementado para 2016.”

"Caso contrário, temos até 28 de fevereiro de 2016 para implementar os regulamentos para 2017.”

"Todos tivemos longas reuniões em que falamos de algumas novas propostas e direções, e falaremos disso na próxima semana - 01 de julho - em Londres, na reunião do Grupo de Estratégia. Dependendo do resultado, vamos para a Comissão da F1."

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