"Não estamos competindo com a F1", diz CEO da Fórmula E

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Sam Smith
Por: Sam Smith
Traduzido por: Erick Gabriel
3 de out de 2015 16:29

Em entrevista exclusiva ao MOTORSPORT.COM, Alejandro Agag fala sobre o crescimento da categoria, de quando haverá apenas um carro por corrida e sobre o confronto de datas da rodada dupla final com a F1

Alejandro Agag, CEO da Formula E
Alejandro Agag, CEO, Formula E
Alejandro Agag, CEO, Formula E
Principe Albert II e Alejandro Agag, CEO da Fórmula E
Karun Chandhok, Mahindra Racing
Nicolas Prost, e.dams-Renault
Salvador Duran, Amlin Aguri and Lucas di Grassi, Audi Sport Team ABT
Bernie Ecclestone

Se você quer ter uma exata noção de como Alejandro Agag, CEO da Fórmula E, tem entradas políticas mundo afora, basta ver as fotografias de sua mesa: Bill Clinton, Tony Blair, George Bush, entre outros estadistas. Mas não pensem que são poses estilo selfie, mas sim em conversas, dos tempos em que lidava prioritariamente com a política.

Nos últimos três anos, Agag entregou à FIA a maior parte dos objetivos da Fórmula E, a primeira categoria totalmente elétrica do automobilismo mundial, muitas vezes tendo que recorrer às suas habilidades políticas.

Para a segunda temporada, que começa neste mês em Pequim, Agag quer multiplicar a base de fãs, como parte da estratégia de consolidação. O campeonato teve início bem sucedido e começou a dar ao automobilismo uma nova demografia.

Falando exclusivamente ao MOTORSPORT.COM, Agag afirmou que o próximo campeonato será vital para as pretensões da categoria, a de chegar aos jovens consumidores.

"Queremos multiplicar o número de fãs, particularmente utilizando o lado digital. Começamos muito bem nisso e já temos uma boa base."

"O objetivo é manter esse crescimento, em termos práticos, expandir a audiência em TVs, com anúncios nas principais emissoras do mundo."

"O principal atrativo é chamar os jovens e as famílias para apreciar o esporte dentro de sua cidade", continuou.

"Precisamos continuar isso, mas também torná-lo cada vez mais acessível em plataformas digitais. Até agora estamos fazendo muitos anúncios que comprovam isso e o FanBoost, quando os fãs podem se envolver diretamente com o esporte. É muito legal fazer parte disso."

Relacionamento com a FIA

A FIA é, essencialmente, a mãe e o pai da Fórmula E. Jean Todt esteve diretamente ligado na formação da categoria e esteve pessoalmente em algumas provas da primeira temporada:

"A FIA foi peça-chave no nascimento e desenvolvimento do campeonato. Estamos perto um do outro e temos uma forte relação."

"Claro, que às vezes acontecem divergências, mas sempre discutimos isso em grupo, o que é muito importante."

Agag acredita que a forte relação com a FIA ajuda na manutenção do DNA da categoria e também no controle dos custos.

"Pelo lado técnico estamos flexíveis entre ambos os lados. Temos o interesse em que os custos se mantenham relativamente baixos."

"A FIA é a líder em processos da área técnica. Eles mantém um contato estreito com os fabricantes. Somos um campeonato que depende de tecnologia e nos próximos anos temos que ter um excelente relacionamento para trabalharmos juntos."

Quando perguntado sobre a questão da duração da bateria, Agag parece confortável em responder:

"Na quinta temporada teremos um grande impacto na arquitetura do carro, já que teremos quatro motores, um para cada roda, e poderemos ter finalmente um carro por piloto, e não dois, como ocorre hoje."

"É improvável que cheguemos a esse ponto antes da quinta temporada, mas vamos ver. É por isso que temos discussões em conjunto, para sabermos exatamente aonde estamos e onde queremos estar e assim chegarmos aos nossos objetivos de maneira eficiente."

O fator Bernie

Está prevista para a rodada dupla final da segunda temporada da F-E o GP da Grã-Bretanha de Fórmula 1, nos dias 27 e 28 de junho. No entanto, Agag rejeita a ideia de que Bernie Ecclestone tenha colocado a prova de maneira proposital, para boicotar sua categoria.

"O GP da Grã-Bretanha foi colocado lá deliberadamente? Não, acredito que não foi. Bernie e a FOM fazem um grande trabalho em manter uma certa ordem das datas. Um calendário com 10 datas a mais que o nosso é muito difícil de administrar."

"As 20 datas da F1 deve ser um pesadelo. Então Bernie colocaria um evento batendo com outro de propósito? Não, acredito que não."

"A F1 tem a preferência dessas datas e com razão. Temos que nos adaptar ao que eles fazem. Infelizmente pouco mudou para a próxima temporada, então isso acaba afetando as outras séries, como a nossa."

"Disse, já talvez um milhão de vezes, que nós não estamos competindo com a F1 e não há nenhum desejo em fazer isso no futuro. Isso não é possível."

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Sobre esta matéria

Categoria Fórmula E
Autor Sam Smith
Tipo de matéria Entrevista