Cacá sobre mensagens: “é uma confissão que me roubaram”

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Suspenso em uma etapa no ano passado, Bueno se diz “enojado” com polêmica

Após a publicação feita pelo jornal Folha de S.Paulo de mensagens de WhatsApp entre comissários da CBA insinuando que poderiam punir deliberadamente Cacá Bueno, o pentacampeão da Stock Car se pronunciou sobre o assunto.

Se sentindo lesado propositalmente, ele usou o tom crítico em suas declarações. “(Me sinto) enojado. Isso é repugnante. Um nojo”, disse ao site brasileiro da Red Bull.

“É uma confissão de que me roubaram. O que me deixa mais revoltado é a questão do próprio (Nestor) Valduga (presidente do Conselho Técnico Desportivo Nacional) já sair em defesa dos comissários, mesmo diante das provas e da confissão de que eu fui prejudicado deliberadamente. Essa é a típica postura da CBA.”

“Minha primeira reação poderia ser de raiva, mas foi de alívio, de ver aquilo e poder falar: ‘é por isso que eu estava brigando, eu não estava errado’. Há claramente dois pesos e duas medidas. A minha punição em 2015 é um reflexo de uma briga que começou lá em 2003. Eu sempre disse que os comissários tinham de ser melhores, que precisava haver mais profissionalismo, mas a minha cobrança era só pelo futuro. Hoje, a gente pode falar também do passado.”

O piloto carioca também deixou claro que não aceita a justificativa dada pelos comissários, de que aquilo seria apenas uma brincadeira. “Não é uma molecagem, como eles disseram”, prosseguiu.

“Eles manipularam um esporte profissional e isso é crime. Um esporte de risco, que envolve milhares de fãs, dinheiro de patrocinadores, não tem espaço para moleques. No mínimo, isso é uma confissão de que esses comissários não têm de estar lá. Espero que isso não seja investigado só pela CBA, porque já está claro que não existe boa vontade da parte deles, é só ler a declaração do presidente do CTDN (Nestor Valduga).”

Suspenso em uma corrida no ano passado após a ter chamado os comissários da CBA de “bando de imbecis” depois de não receber a bandeirada na etapa de Ribeirão Preto, Cacá diz que manipulações no campeonato são suspeitas antigas.

“Não foi surpresa. Eu sempre soube que isso acontecia, mas nunca tive provas. É um alívio, uma sensação de que há uma luz no fim do túnel. Traz uma motivação nova, porque eu via os mandos e desmandos da CBA e não conseguia lutar contra. Quem levantava a voz sofria mais punições, como era o meu caso. Agora, é uma chance de quem se sente incomodado vir a público e lutar contra isso também.”

“O que eu vi no passado, no futebol, é um cara que confessou ter manipulado jogos ser investigado, processado e banido do esporte. A gente viu escândalos no vôlei, no tênis, no basquete e eles foram benéficos no longo prazo, apesar do choque inicial. Então, essa é uma oportunidade pra gente limpar o nosso esporte.”

Questionado se pensa em entrar na justiça para reverter punições antigas, ele deixou em aberto a hipótese de considerar. “Meu advogado ainda está estudando o que pode ser feito esportivamente, em relação aos resultados passados.”

“Mas essa nem é a minha intenção no momento. Minha preocupação é que o automobilismo seja limpo, que quem está com as mãos sujas seja investigado. E que isso se reflita em melhorias daqui para frente.”

O Motorsport.com entrou em contato com o comissário Clóvis Matsumoto, que aguarda aval da CBA para se pronunciar sobre o caso. Ele trabalhou na Stock até 2009 e é citado nominalmente na reportagem da Folha de S.Paulo como autor da mensagem: "Bom, na minha época o Cacá foi três vezes vice pq eu não estava a fim de deixar ele ser campeão! Kkk".

Em nota, a CBA disse que afastou Matsumoto e Paulo Ygor das competições até o final da investigação e não há hipótese de ter ocorrido interferência em títulos da categorias desde 2009. 

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